segunda-feira, 4 de agosto de 2014

X Seminário Internacional Imagens da Cultura - Cultura das Imagens (ICCI)

Estão abertas as inscrições para o X Seminário Internacional Imagens da Cultura - Cultura das Imagens (ICCI) que acontecerá nos dias 25 e 26 de novembro, no Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco. Nesta edição do ICCI vamos comemorar os dez anos do evento que vem possibilitando a colaboração entre pesquisadores brasileiros e de países como Portugal, Espanha, Argentina, México e França. O Programa de Pós-graduação em Educação Matemática e Tecnológica é responsável pela organização do evento que tem como coordenadores a autora deste blog, o Professor Doutor José Ribeiro, da Universidade Aberta e a Professora Doutora Thelma Panerai, da UFPE. O evento terá conferências de professores de renomadas universidades nacionais e internacionais, mesas temáticas e apresentações de artigos distribuídos em seis grupos de trabalho: Cultura Digital, comunidades virtuais e jogos digitais; Teoria, metodologia e tecnologias na investigação; Publicidade, imagem corporativa e cultura de consumo; Cultura visual e sonora; Cinema e sociedade; Produção partilhada do conhecimento. As inscrições de trabalhos estão abertas até o dia 15 de setembro e o valor das inscrições é bastante acessível. Esperamos por vocês!

terça-feira, 8 de julho de 2014

Eu e Michael Fischer

A construção teórica de cada um na academia é um percurso absolutamente pessoal, influenciado por vários fatores que variam desde a identificação com uma determinada corrente, até a existência de um guru intelectual. Depois que você estabelece o seu percurso, seus ouvidos ficam sensíveis e ouvir discursos que vão de encontro ao que você pensa provoca dor nos ouvidos, reviravolta no estômago e pontadas no fígado. Já ouvi dizer que algumas pessoas até desmaiam quando são contrariadas em seus pressupostos teóricos e epistemológicos, mas acho que é um exagero. Também sinto dores nos ouvidos e elas estão relacionadas com a insistência de alguns pesquisadores em tratar as tecnologias digitais como uma ruptura total do modelo anterior existente em nossa sociedade. A coexistência está aí, na frente de nossos olhos, seja no percentual da população sem acesso ao computador e internet, seja nas ações cotidianas que não necessitam de tecnologia. Eu prefiro tratar as tecnologias digitais como um processo, como mais um elemento tecnológico que será absorvido, apropriado, reconfigurado, transformado e trocado pelo próximo invento que provocará muitos ahhhhhs, ohhhhhs e teorias sobre como "nunca antes a humanidade esteve tão_______" (complete os espaços com o texto que quiser, vários autores por aí podem ajudar). Atualmente estou debruçada sobre o texto de um antropólogo muito interessante, chamado Michael Fischer. Seu livro "Futuros Antropológicos: redefinindo a cultura na era tecnológica" trata da questão de uma forma quase cínica, embora a leitura não seja fácil. Quem me apresentou o Fisher foi o professor José Ribeiro, meu supervisor do pós-doc e nós dois gostamos muito da seguinte passagem (repetida insistentemente ao longo do livro): "Cultura é aquele todo relacional (1848), complexo (1870), cujas partes não podem ser modificadas sem afetar as outras partes (1914), mediado por formas simbólicas, potentes e poderosas (1930), cujas multiplicidades e cujo caráter performativamente negociado (1960), são transformados por posições alternativas, formas organizacionais e o alavancamento de sistemas simbólicos (1980), assim como pelas novas e emergentes tecnociências, meios de comunicação e relações biotécnicas (2007)". Fischer acrescenta a definição de cultura ao longo do seu texto, inserindo os conceitos mais recentes logo após ao pressusposto anterior, buscando apresentar a lógica de sua perspectiva histórica. É uma boa ironia para discutir o "novo" que surge a cada tendência... Outra passagem interessante do texto: "Os teóricos culturais e sociais voltaram-se para as tecnologias e para as tecnociências em torno dos quais as sociedades contemporâneas se constroem para encontrar metáforas adequadas para a descrição, o exame, a comparação e o contraste dessas sociedades, umas com as outras e com suas predecessoras". Então, como vocês podem ver, não existe ruptura radical nenhuma, muito menos provocada pelas tecnologias digitais. Estamos apenas fazendo mais do mesmo e nos reinventando o tempo todo! "Ba dum tss"...

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Cultura e imagem: alguns experimentos interessantes...

Estou construindo um projeto interessante com o uso de imagens e vídeos e o mínimo de texto possível. Um recorte desse projeto está aqui.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Próximo evento: Coimbra!

Estou preparando a minha apresentação para o Congresso Internacional Territórios, Comunidades Educadoras e Desenvolvimento Sustentável que acontecerá entre os dias 1 e 4 de julho, em Coimbra. Fui gentilmente convidada pela professora Márcia Barbosa, professora da Universidade Federal de Pernambuco que está desenvolvendo atividades de pós-doc em Coimbra. O Congresso é "uma organização conjunta entre duas faculdades da Universidade de Coimbra, a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação e a Faculdade de Letras, enquadrando-se em particular no trabalho de uma equipa do GRUPOEDE do CEIS20 que, ao longo dos últimos anos, tem ajudado diferentes municípios em questões de planeamento da educação no território, assentando os últimos contributos nos Projetos Educativos Locais, documentos de planeamento estratégico na área da educação". O evento propõe discussões muito interessantes sobre as configurações territoriais e Educação. Vou participar de uma mesa-redonda no eixo temático 4: Educação, Patrimônio e Cultura. Espero contribuir para as discussões e aprender bastante!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Uma breve reflexão sobre as escolas de Portugal

Eu ainda vou escrever mais detalhadamente sobre a experiência do pós-doc, mas não posso deixar de pensar no conceito de deslocamento das identidades do Stuart Hall. Além de todo o envolvimento acadêmico que as experiências com outros marcos teóricos, campos de pesquisa, relações de trabalho e pesquisa permitem, existe a necessidade de mudar o seu ponto de equilíbrio, colocar em dúvida as suas certezas e, sobretudo, mudar a perspectiva. O contraponto da realidade das escolas públicas em Portugal com a realidade brasileira é gritante, mas o mais assombroso é que somos tão iguais e ao mesmo tempo completamente diferentes. Em alguns momentos, quando ouço os meus sujeitos de pesquisa, me sinto arrastada em um vértice temporal e vejo que a nossa realidade hoje reflete o contexto deles há dez anos. Não pensem que tudo é mais fácil aqui, porque não é!

O país vive um momento difícil e o mais surpreendente é que mesmo em um contexto tão desfavorável, as condições de trabalho e a estrutura das escolas é impressionante. A escola que ilustra esse post não fica na região mais privilegiada do país e muito menos é uma escola que foi especialmente contemplada pelo poder público. É uma escola linda, iluminada e equipada que conta com um trabalho de gestão primoroso. São realizados projetos diversificados que buscam encontrar formatos e propostas que sejam adequadas aos seus alunos. Trabalhoso, sem dúvida, mas absolutamente necessário para vencer a evasão e o insucesso escolar.

O resultado da minha imersão no campo de pesquisa foi o surgimento de muitas outras questões, mas é isso que torna a pesquisa estimulante para mim: entrar com um problema e sair com meia dúzia para destrinchar! Estou feliz com tudo que vi, ouvi e percebi por aqui...Agora é arregaçar as mangas e escrever porque os artigos não vão ficar prontos sozinhos!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Curtas animadas e as minhas pesquisas

Eu gosto muito do conceito de usar imagens, vídeos, animações etc como estratégia de aprendizagem. Estou particularmente interessada pela dinâmica do seu uso em diversos contextos da cultura digital. Ontem, eu encontrei uma animação fantástica por indicação da minha amiga querida, Adelice Luz, através de uma rede social. Estou reforçando o meio pelo qual encontrei o filme porque é exatamente isso que tenho pesquisado. São as redes e suas dinâmicas que estão assumindo um papel importante e inesperado na difusão e compartilhamento das informações. A animação "Contre Temps" conta a seguinte história: "Em um planeta inundado, um senhor vive em sua casa junto com a sua coleção de relógios, ele espera todo dia a maré baixar para andar pela cidade e procurar por novos relógios para sua coleção. Um dia em sua busca ele entra em um local lacrado e encontra uma garota vivendo lá sozinha, ele a deixa sozinha e segue por sua busca por novos relógios. Quando a maré começa a subir, ele percebe que a garotinha irá se afogar e ele decide salvá-la". Com direção de Jérémi Boutelet, Tristan Ménard, Thibaud Clergue, Camille Perrin, Gaël Megherbi e Lucas Veber, o filme é um espetáculo para os olhos e para a alma.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Conferência Cinema e Novas Tecnologias em Ponte de Lima

O fim de semana teve trabalho prolongado, depois das atividades no evento em Viana do Castelo, partimos para Ponte de Lima para falar sobre o Cinema e as Novas Tecnologias. O local do evento já era inusitado: a antiga prisão das mulheres foi transformada em um café fofíssimo com uma área no segundo andar para a realização de eventos. O interessante é que ao invés das tradicionais cadeiras enfileiradas, o espaço da plateia é uma espécie de arquibancada de madeira com almofadas confortáveis para as pessoas se esparramarem mesmo. Como diz o Robson Freire, um local de dor e sofrimento foi transformado em um espaço acolhedor para disseminação do conhecimento e reflexão. Adoramos! A conferência foi uma delícia, conseguimos articular conhecimentos e perspectivas diferentes através de ganchos entre as falas de cada um, provocando excelentes intervenções do público. O querido José Ribeiro falou sobre as descobertas determinantes na inovação tecnológica do cinema, como a montagem, até a chegada do digital que possibilita a popularização da produção de vídeos.

Eu falei sobre a relação entre a formação a distância e o uso de filmes nas salas de aula da Educação Básica na perspectiva da cultura digital. Robson Freire abordou o cinema e o ensino de História através das propostas de blogs e o Gabriel Omar Alvarez fez uma bela apresentação sobre a sua experiência em realizar filmes em comunidades indígenas na região amazônica. Fomos muito bem recebido por Catarina, coordenadora local da Universidade Aberta, competente, eficiente e muito simpática. O local do evento fica em frente ao principal ponto turístico da cidade, uma ponte construída pelos romanos em 135 a.c e tem uma história linda: dizem que os soltados de Brutus ao se depararem com a beleza do rio Lima, acreditaram que era o rio do esquecimento. Quem atravessasse o rio, perderia a memória imediatamente.

Para provar aos soldados que não era verdade, Brutus atravessou o rio e do outro lado da margem, chamou os soldados pelo nome, um por um. Atravessamos a ponte e ficamos impressionados com as águas transparentes do rio e a beleza do lugar. Penso que este é o ponto de equilíbrio da alma: trabalho gratificante, compartilhamento, história e uma beleza natural de encher os olhos e a alma!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Muito trabalho em Viana, excelentes resultados!

A minha participação na 3ª Conferência Internacional de Cinema de Viana foi um momento interessante para realizar boas reflexões não apenas sobre o aspecto acadêmico, mas também sobre a organização do evento e a existência de outras estruturas possíveis para eventos científicos. A questão mais interessante foi a preocupação dos organizadores do evento em receber bem as pessoas e criar condições para que todos se sentissem confortáveis. A alimentação no local, oferecida pelo evento, é um elemento importante, assim como a estrutura das apresentações em pequenos grupos com mais tempo para as apresentações, mas muito menos cansativo para a plateia e para os participantes. O nível dos trabalhos apresentados também exige um pouco mais de tempo para as apresentações e discussões, pois tratam de temas complexos, como o papel do cinema na construção da ética na sociedade ou a biogenética e Blade Runner como elementos de reflexão da sociedade em que vivemos hoje. Um trabalho fantástico que foi apresentado na sessão em que eu estava, mostrava a experiência de usar a lanterna mágica como instrumento de aprendizagem para jovens com deficiência em um centro de formação profissional. A discussão sobre o cinema na escola indicou a necessidade de autoria e produção dos alunos com a inserção da formação em cinema já na Educação Básica. A cidade onde aconteceu o evento é um espetáculo com suas ruas medievais estreitas que desembocam em largos com nomes sonoros, prédios históricos muito bem conservados e enfeitados com flores. Ainda assim, o meu relato não indicaria nada diferente de outros eventos se não fosse o elemento que considero o mais importante: a acolhida dos organizadores, desde a nossa chegada na mesa de recepção, até o jantar oferecido na noite de sexta-feira, um ótimo espaço para confraternizar, compartilhar e conhecer as pessoas. Sem dúvida, nós brasileiros temos muito calor humano e somos agradáveis, mas os portugueses também tem tudo isso e uma cordialidade que deixam qualquer pessoa encantada!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Programação da 3ª Conferência Internacional de Cinema de Viana

Está disponível a programação da 3ª Conferência Internacional de Cinema de Viana que acontecerá entre 28 de abril e 04 de maio em Viana do Castelo. Teremos muitos trabalhos interessantes sobre arte digital, cultura digital, Second Life, Educação a Distância, entre outros temas. Meu texto é sobre o uso de Filmes como estratégia didática nas licenciaturas à distância: em busca de novas narrativas para os futuros docentes. Eu realmente estou em busca de novos olhares sobre a EaD...

Workshop Itinerários para Antropologia Recíproca

sábado, 26 de abril de 2014

No Porto

As cidades exercem um fascínio tão grande em mim que fui estudar e escrever sobre o urbano durante um bom tempo da minha vida. Conhecer o Porto tem sido uma experiência única e difícil descrever. Uma aluna referiu-se ao Porto como uma cidade encantadora, uma reportagem para turistas fala em cidade mágica, a sua história é fantástica, a sua geografia é surpreendente com suas pontes em grandes alturas e penso que é tudo isso e muito mais. Tenho certeza que a J.K. Rowling criou o beco diagonal em Harry Potter inspirada no tempo em que morou aqui! Foi difícil conciliar a necessidade de desvendar a cidade ao mesmo tempo em que eu tinha que concluir as pendências burocráticas e operacionais para viver aqui. O processo de instalação para morar em outro país não é fácil, mesmo que seja por um tempo determinado. Tudo acontece ao mesmo tempo: procurar casa, escola, panela, providenciar documentos, participar de eventos... Creio que levei um mês para ajustar a rotina e equilibrar as tarefas. Eu tive muita sorte em ser tão bem recebida pelo meu orientador do pós-doc, ele merece um post só para falar sobre as suas qualidades, mas basta dizer que ele fez com que eu me sentisse em casa. Nada e fácil: o frio é impiedoso, a chuva é irritante, alugar casa não é tão simples quanto parece e você frequentemente estará dentro de um círculo de obstáculos que mais parece uma armadilha. Apenas um exemplo: você não pode alugar casa se não tiver o NIF (o nosso CPF no Brasil), mas não pode tirar o NIF se não tiver um comprovante de residência no seu nome! Hã? A solução foi pedir, muito sem graça, para o meu orientador se responsabilizar por mim na Secretaria da Fazenda. Além de discutir questões acadêmicas e enfiar antropologia visual na minha cachola (que já não é mais a mesma faz tempo), o coitado ainda teve que ser meu responsável fiscal! Depois das contas devidamente prestadas para a Capes, filha matriculada na escola e as mínimas (mesmo!) condições de sobrevivência garantidas, pude começar a me dedicar aos estudos e ao campo de pesquisa. Estou encantada com a antropologia visual e aprendi muito sobre a etnografia virtual nos últimos dois meses. Em cada passo que eu dou, penso em como poderei ser útil para os meus alunos e orientandos. Espero multiplicar tudo que estou aprendendo muitas e muitas vezes... As coisas que tenho aprendido com o Professor José Ribeiro no campo teórico e metodológico são muito importantes, mas as coisas que ele tem me ensinado sobre generosidade, história de vida e conhecimento, são essenciais!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A senhora é qualificada?

A pergunta pode parecer estranha, mas foi o que me disse a funcionária do consulado quando entreguei TODOS os documentos exigidos. Menos o diploma do doutorado, é claro! Eu queria muito saber porque algumas pessoas pensam que existe glamour em estudar em outro país. Claro que a experiência é válida e importante, mas o caminho até o nirvana acadêmico é longo e tortuoso, principalmente quando o país de destino parece não querer você lá. O centro do problema está em colocar na mesma condição todas as pessoas que solicitam o visto, seja para estudar, trabalhar ou viver. Você tem que comprovar os meios de subsistência (ok, eu tinha a carta de Capes), o seguro no valor de 30.000 euros (ok, não vou onerar o seu sistema de saúde), comprovante de alojamento (mas eu vou ficar seis meses, tenho que alugar uma casa quando chegar lá!), comprovante de que não tem antecedentes da polícia federal (não vale o da Internet, tem que ser assinado, carimbado e com firma reconhecida!) e mais outros tantos papéis que eu não me lembro. Não pedia o diploma, eu tenho certeza, mas foi solicitado depois da segunda vez em que estive lá. Detalhe: com reconhecimento de firma do reitor, pró-reitor ou sei-lá-quem que tenha assinado o maldito! Voltei para casa, fui até a universidade para saber em quais cartórios os gestores da época tinham firma, fui até o cartório, paguei o reconhecimento de firma e voltei. De novo. Foram três tentativas para conseguir despachar o pedido de visto para Salvador. Me cobraram a taxa de visto de residência temporária, embora o site afirme que existe isenção para quem vai fazer estudos de investigação altamente qualificada, paguei pelo reconhecimento da firma reconhecida no diploma (é isso mesmo!), ouvi reclamação até por ter feito a reserva do hotel pela Internet (oi? Que ano é hoje?)! Pelo visto, não sou tão qualificada assim, vocês não acreditariam nos questionamentos:

- Pós-doc? Como assim? A senhora é qualificada? Tem que apresentar um documento mostrando que a senhora tem condições de proceder com a investigação!

- Mas eu trouxe a carta da Capes! disse eu atônita. O pedido é para um pós-doc (o que pressupõe que eu seja qualificada) e a carta é bem explícita no seu conteúdo e serve exatamente para solicitar o visto e resolver os problemas burocráticos.

- Capes? Ahn... Isso é só um órgão do governo que financia a sua pesquisa, não serve. A senhora precisa comprovar a sua qualificação!

É isso, senhoras e senhores, a Capes é APENAS um órgão do governo... Eu só lembrava da minha querida Thelma Panerai que volta e meia é punida em suas viagens por causa da sua indignação. Recolhi a minha irritação e fui providenciar os documentos exigidos. Depois de entregar tudo, fiquei em dúvida se daria tempo, a passagem estava comprada (porque eles exigem isso para fornecer o visto). A funcionária disse que nada era garantido e que se o visto não fosse entregue no prazo, eu teria que trocar a passagem. Simples assim! Perguntei se eu poderia ligar para Salvador para acompanhar o processo. Ela disse que eles não forneceriam nenhuma informação, que nem adiantava tentar. - A senhora vai ter que esperar, concluiu, seca, amargurada e sem nenhuma intenção de facilitar a minha vida. Passei as quatro semanas seguintes estressada, correndo atrás das outras pendências e morrendo de medo de tudo dar errado. No auge da minha angústia, resolvi ligar para Salvador, morrendo de medo de receber uma resposta atravessada. Vai que eles cancelam o meu visto por causa disso? Liguei e para a minha surpresa, já no menu existia uma opção para acompanhamento dos pedidos de visto. Ué, mas ela não me disse que eles não forneciam informações por telefone? Atendeu uma mulher, gentil, simpática e prestativa. Disse que o visto já tinha sido aprovado e que seria despachado uma semana antes da viagem. Eu podia ligar no dia previsto para o envio para saber. A funcionária não deve ter entendido nada porque eu agradeci quase chorando, muito obrigada, minha senhora, muito, muito, obrigada! Desliguei e dancei pela sala, feliz da vida e encantada com o tratamento! Mas vamos supor que eu estivesse sendo dura e ressentida, vamos supor que eu dei sorte naquele dia e peguei uma funcionária inexplicavelmente amável. Liguei de novo no dia combinado e foi um homem que atendeu. Perguntei sobre o visto e ele foi tão (ou mais) simpático quanto a outra funcionária, disse que o visto tinha sido despachado e já tinha sido entregue no Recife (mas ninguém do Recife me ligou para avisar). Terminou a ligação com um "pode ir lá buscar, Pimentinha!". Fui buscar o visto dois dias antes da viagem e acreditando que eu apenas dei azar nas TRÊS vezes em que estive no consulado. Ledo engano... Cheguei lá e encontrei o mesmo tratamento. Passei a mão no passaporte e fui embora com uma certeza: tomara que eu nunca mais precise voltar aqui!

quinta-feira, 20 de março de 2014

Enfim, o pós-doc!

Depois de um longo, frio e tenebroso inverno europeu, consegui ter tempo para escrever sobre as minhas aventuras no pós-doutorado e prometo colocar o assunto em dia. Já faz um mês que estou em Portugal, mais precisamente na bela cidade do Porto e não escrevi antes porque estava atolada até o pescoço com as questões práticas para resolver, além das questões burocráticas que quase me provocaram uma úlcera, um AVC e um ataque cardíaco. A minha vida é sempre pautada pela imprevisibilidade, tenho períodos de total inércia alternados com momentos de ebulição. Atualmente, tenho vivido um período de ebulição, em menos de um ano resolvi casar, mudar de casa, estudar no exterior, escalar o Everest...(Opa! Isso ainda não!). Ano passado, encontrei com o querido Walter Matias em uma banca de doutorado e conversamos sobre a estada dele na França para concluir o pós-doc. Ele falou sobre um professor da Universidade Aberta bem interessante que trabalhava com Antropologia Visual e me passou as diretrizes para que eu entrasse em contato com o possível orientador. Conversei com o professor José Ribeiro, reuni toda a documentação e enviei o projeto para os editais de financiamento da Capes e do CNPq sem grande esperança, mas com a sensação de dever cumprido. Quando eu estava no hospital com o meu marido ano passado, no meio de um turbilhão de incertezas, saiu o resultado da Capes com a aprovação do projeto. Algumas pessoas se sentem vitoriosas e comemoram, eu fico histérica e só penso: E agora? Como vai ser? Como eu vou? E se der errado? Arf, arf, arf... Passado o momento de ansiedade, comecei a organizar a parte burocrática and trust me: é um verdadeiro inferrrrrrno! Tudo é muito simples e ao mesmo tempo muito complicado porque as informações não são claras e, muitas vezes, contraditórias. A parte simples é que todos os documentos são digitalizado e enviados através da plataforma, a parte complicada é que nem sempre fica claro quais são os documentos necessários e isso vale tanto para as instituições no Brasil, quanto para o visto. A minha primeira providência foi enviar uma carta para a Capes reafirmando o meu interesse no financiamento (praquê, minha gente? Quem em sã consciência vai enviar um projeto com duzentos-e-noventa-e-cinco documentos e vai desistir depois? Claro, sempre tem os loucos e os que sofreram algum golpe do destino, mas esses deveriam ser a exceção e não a regra!). Bom, como manda quem pode e obedece quem tem juízo, fui escrever a tal carta, mas... onde está o modelo? Tem modelo? Quais informações devo colocar? Procura daqui, cata de lá, descubro que não tem modelo e você tem que escrever o que quiser. Que desespero! Vontade de escrever "venho por meio desta missiva reafirmar o meu desejo de expandir os meus horizontes educacionais no convidativo inverno europeu que se anuncia na aurora de uma manhã iluminada"... Não, eu não escrevi isso (mas bem que vocês gostariam, não é mesmo?). Fiz uma carta mais insossa do que sopa de doente, reafirmei tudo o que já havia dito antes e enviei. Preocupada com a burocracia da minha Universidade, dei entrada imediatamente no pedido de afastamento, mesmo sem ter recebido os documentos da Capes. Como eu não recebi nem um e-mail, fiz um print da tela que informava o deferimento do processo e entreguei tudo no protocolo, no dia 30 de outubro, ou seja: quatro meses antes da viagem. Deveria ser suficiente, não é mesmo? Pois acreditem, quase não deu tempo!

sábado, 1 de março de 2014

Defesas em 2014: entre mortos e feridos, salvaram-se todos!

O ano começou com muitas novidades, correria, suspense, angústia e como não poderia deixar de ser, as defesas dos meus dois orientandos concluintes em 2014: Eber Gustavo Gomes e Thaís Oliveira. Os dois trabalharam bastante e apresentaram resultados excelentes com suas pesquisas. Eber abriu a temporada de defesas do Programa de Pós-graduação em Educação Matemática e Tecnológica - Edumatec da UFPE, com a dissertação intitulada "Diz-me o que escreves que te direi quem és: percursos adotados pelos professores autores/conteudistas ao produzirem materiais didáticos para o programa E-TEC Brasil". Eber entrevistou os professores autores de vários cursos no âmbito do E-Tec em Pernambuco, acompanhou a formação de todos eles e analisou os materiais elaborados e sua aplicação. Os resultados encontrados indicam que os professores são bastante tradicionais na elaboração dos materiais, reproduzem o modelo do ensino presencial em suas estratégias didáticas e utilizam muito pouco os recursos digitais disponíveis. Para compor a banca examinadora, estiveram presentes o Professor João Mattar como examinador externo e a Professora Thelma Panerai como examinadora interna.

No mês de fevereiro, tivemos a segunda defesa do Programa com a dissertação de Thaís Oliveira Lima, intitulada "Eu sei o que vocês fizeram no verão passado: a atuação docente a distância em sites de redes sociais na perspectiva da colaboração em rede". Ela analisou a atuação nos sites de redes sociais de cinco professores, todos acadêmicos renomados no campo da Educação e Tecnologia e fez um cuidadoso registro diário das observações para analisar as estratégias de atuação na perspectiva da colaboração em rede.Thaís usou o referencial teórico de Raquel Recuero para analisar a atuação dos professores considerando a visibilidade, reputação, popularidade e autoridade. Os resultados indicam que os sujeitos pesquisados não efetivam ações de colaboração em rede e não conseguem reproduzir nos espaços virtuais a mesma condição que possuem no meio acadêmico. A utilização do Node XL como ferramentas para compor as redes dos sujeitos pesquisados foi bem interessante porque foi feita depois das análises das observações e confirmaram os resultados encontrados anteriormente. Na banca examinadora, estiveram presentes a Professora Patricia Smith como examinadora interna e Ivanda Martins (UFRPE) como examinadora externa. Eu fiquei muito feliz com os resultados dos trabalhos, os dois correram muito para defender antes do prazo por causa da minha viagem para o pós-doutorado. Tenho que agradecer muito o empenho dos dois, eles foram fantásticos e posso afirmar com segurança que nós realmente formamos um time! Parabéns aos dois!

#Não posso deixar de registrar o papel da torcida dos colegas que estiveram presentes, vibraram, aplaudiram e até trouxeram cartazes! A lapada acadêmica é inevitável, como diz o meu querido Walter Matias (que esteve presente na minha banca de doutorado): - "Ninguém é doutor (ou mestre) impunemente". É essencial estar preparado e aguentar a lapada!

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Adeus, Stuart Hall

A morte de Stuart Hall foi a notícia triste da semana. Hall ficou conhecido como o pai do multiculturalismo e um dos grandes nomes dos teóricos dos Estudos Culturais. Nascido na Jamaica, Hall foi estudar em Oxford e, junto com Raymond Williams e E.P. Thompson, iniciou a produção teórica no campo dos Estudos Culturais. Independente de sua importância e inegável valor acadêmico, Hall sempre foi o meu autor preferido dos Estudos Culturais por causa das suas ideias e do seu estilo de texto. Adoro a forma como ele colocava as suas ideias, o ritmo do seu texto, a forma como ele brincava com as palavras... Sua morte é uma grande perda e deixo aqui a reprodução da minha passagem preferida do livro "Da diáspora: identidades e mediações culturais" (p.204).

"Quero sugerir uma metáfora diferente para o trabalho teórico: uma metáfora de luta, de combate com os anjos. A única teoria que vale a pena reter é aquela que você tem de contestar, não a que você fala com profunda fluência.Desejaria dizer algo mais adiante sobre a surpreendente fluência teórica dos estudos culturais contemporâneos. Contudo, a minha própria experiência com a teoria — e o marxismo e um exemplo paradigmático — consiste num combate com os anjos — uma metáfora que vocês podem interpretar o mais literalmente possível. Lembro-me de ter lutado com Althusser. Lembro-me de, ao ver a ideia de “prática teórica” em Lendo O Capital, pensar, “já li o suficiente”. Disse a mim mesmo: não cederei um milímetro a esta tradução pós-estruturalista malfeita do marxismo clássico, a não ser que ela me consiga vencer, a não ser que me consiga derrotar no espírito. Terá que caminhar sobre o meu cadáver para me convencer. Declarei-lhe guerra, até a morte".

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

JIO - I Jornadas Internacionais Online de Educação, Tecnologia e Inovação

A querida professora Daniela Melaré da Universidade Aberta de Portugal (não confundir com a UAB do Brasil, pleeease...) está coordenando a JIO - I Jornadas Internacionais Online de Educação, Tecnologia e Inovação que acontecerá entre 5 e 10 de maio. O evento totalmente online "tem a finalidade de possibilitar um espaço de diálogo entre investigadores e docentes (nacionais e internacionais) sobre inovação pedagógica, com base no intercâmbio de resultados da investigação realizada e aplicada, com o uso das tecnologias na educação, com especial destaque para a diversificação da oferta formativa". Os temas dos fóruns são: inovação nos planos de estudos, inovação nas estratégias e recursos para a educação e inovação na avaliação das aprendizagens. Para os brasileiros as jornadas serão consideradas um curso de extensão, mas para receber o certificado existe um mínimo de participação ativa em pelo menos três conferências e dois fóruns, durante os cinco dias do evento. Fiquem atentos aos prazos, as inscrições antecipadas vão até o dia 30 de março (20 euros). Acessem também o Facebook do evento, o Google+ e o Twitter.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Tudo cai na rede (e nem sempre é peixe!)

Viver em um mundo conectado modificou as configurações de privacidade que tínhamos no passado e algumas situações vivenciadas em um ambiente restrito podem ser amplificadas nas redes, independente da vontade das pessoas envolvidas. Não querendo parecer alarmista no estilo "trombetas do apocalipse por causa da tecnologia", a ausência de controle sobre a divulgação de experiências cotidianas pode ser bastante assustador. A exposição pode variar desde fotos suas marcadas por outras pessoas no Facebook que não captaram o seu melhor ângulo, até vídeos íntimos publicados como vingança de um ex-parceiro(a). No campo profissional, os cuidados devem ser redobrados porque ninguém quer ficar assombrado o resto de sua existência por um momento ruim ou por um comentário infeliz. Vou relatar um fato (que aconteceu comigo em 2012) para ilustrar a nossa total falta de controle sobre nós mesmos e sobre as situações que vivenciamos. Participei de uma mesa redonda no 18° Encontro Internacional de Educação a Distância com os professores Alex Sandro Gomes e José Aires Filho sobre a adoção de tecnologias e formação docente. A nossa mesa deveria começar às 14 horas e nós três chegamos bem antes do horário. Conversamos um pouco e ficarmos aguardando as orientações da organização do evento. A pessoa que deveria mediar a nossa mesa não chegou no horário e, como a sala estava cheia e não queríamos atrasar a programação do evento (que sempre tem horários muito apertados), decidimos começar. Colocamos o problema para o público presente e fizemos uma proposta de organização da ordem de apresentação dos palestrantes. Combinamos como seriam realizadas as perguntas e outras intervenções das pessoas presentes. Tudo combinado (e quando está combinado, não está caro nem barato), iniciamos os trabalhos e no meio da segunda apresentação entrou um senhor na sala que se sentou e logo ergueu a mão. Não me lembro exatamente quem estava fazendo a exposição no momento, mas interrompemos a atividade para ouvir o que ele tinha a dizer. Irritadíssimo, ele questionou a organização das apresentações, tentou modificar o que foi proposto de forma agressiva e, obviamente, foi rechaçado pelos palestrantes. Imaginem a saia justa! Eu costumo brincar que sou uma pessoa fina e que odeio baixaria, mas naquele momento adorei que um dos meus colegas fosse mais grosso do que papel de embrulhar prego! Não teve conversa: foi "catipow" na lata do sujeito arrogante! Figura de linguagem, é claro, mas bem que ele merecia uns sopapos por seu comportamento grosseiro... Encerramos os trabalhos, conversamos entre nós indignados com o que passamos, voltei para casa e não pensei mais nisso. Hoje, para minha surpresa, encontrei um material na rede com a avaliação de todas as mesas do evento. Fui procurar a avaliação das mesas nas quais estive presente e me deparei com a avaliação e os comentários das pessoas que participaram do babado, confusão e gritaria (brinks!). Vejam só o que alguém escreveu: "O mediador chegou atrasado e foi extremamente deselegante com os professores da mesa, querendo alterar a organização já proposta pelos membros da mesa ao público". Hahahahaha! O desconforto que todos nós sentimos foi registrado por alguém que estava presente e a organização do evento publicou! Resumo da ópera ou moral da história: nunca, jamais, em tempo algum, tenha uma atitude grosseira em público! Nunca se sabe quando isso poderá virar contra você.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Leituras


Dois periódicos científicos com edições fresquinhas lançadas nos últimos dias: a revista Em Teia (do programa de pós-graduação ao qual sou vinculada) e a revista Texto Livre. A Revista Em Teia, Revista de Educação Matemática e Tecnológica Iberoamericana lançou o volume 4, nº 2, com ótimos textos sobre o ensino de Matemática, uso de tecnologia e ensino superior (tem um texto da querida Thelma Panerai nesta edição, em parceria com a nossa ex-aluna Renata Kelly, sobre o Moodle e o Facebook como ambientes pedagógicos). Já a revista Texto Livre: Linguagem e Tecnologia lançou o volume 6, nº 2, com textos bem interessantes sobre o uso da tecnologia em sala de aula e Educação a Distância. Fora do campo acadêmico, mas dentro do tema do blog e da minha área de pesquisa, a edição da Revista LibreOffice Magazine também já está no ar. Leituras de qualidade, gratuitas, livres e ao alcance de um clique! Vai encarar?

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