sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Notas sobre o ICCI (8): conclusão

Eu nunca tinha organizado um evento científico antes e o balanço que eu faço dessa experiência não está relacionado com os aspectos operacionais ou financeiros, mas sim com o desenvolvimento pessoal e acadêmico que o ICCI nos proporcionou. Em primeiro lugar (sempre!), estão as pessoas. E que pessoas! Os palestrantes convidados foram maravilhosos não apenas na perspectiva da qualidade científica de suas apresentações, mas na afetividade, cordialidade e doçura. Todos foram extremamente generosos, participativos e empenhados em fazer o evento ser um sucesso. Eu realmente lamento que os alunos não aproveitem melhor oportunidades como essa, a UFPE é um centro de atividades em ebulição o tempo todo, mas vejo sempre poucas pessoas da própria instituição participando das atividades. Talvez seja uma questão de exemplo mesmo, precisamos (como professores) incentivar os nossos alunos, indicando os eventos e liberando os alunos para que eles participem das atividades. O nível dos trabalhos apresentados foi outro elemento importantíssimo e já estamos providenciando um livro com os melhores trabalhos apresentados no evento. Em breve publicaremos os anais eletrônicos do evento e as fotos estão disponíveis na nossa página nas redes sociais. Para concluir, preciso agradecer ao professor José Ribeiro, meu orientador no pós-doutorado e idealizador do evento em nossa Universidade. Claro que sem a minha querida parceira de luta, Thelma Panerai, não teríamos conseguido nada, nunca vi alguém para conhecer tanta gente e ser tão eficiente! Obrigada, Thelmita, as nossas parcerias sempre dão muito certo!

Notas sobre o ICCI (7): agradecer é sempre bom!

Organizar um evento não é fácil mesmo, mas nada teria dado certo sem a ajuda das nossas orientandas e agregados do Edumatec que foram os grandes responsáveis pelo sucesso do evento. O querido Mario, nosso apoio na secretaria, foi um verdadeiro leão para dar conta da burocracia e dos intermináveis pedidos que fazíamos a todo instante. As queridas Amanda, Alice, Dagmar, Flávia, Claudia e Lilian que foram quase sequestradas para a função, nos deram todo o apoio que precisávamos. Amanda fez o site mais lindo de todos os tempos, gravou todas as conferências e esteve lá, firme e forte resolvendo os pepinos tecnológicos e recebendo os merecidos elogios do pessoal da USP.Flávia nos ajudou no credenciamento e na recepção dos palestrantes.

Alice assumiu o credenciamento, recebeu os convidados, esteve na linha de frente das reclamações dos participantes e ainda coordenou uma sessão. Dagmar, Claudia e Lilian assumiram a coordenação das sessões, o que é ótimo para o currículo e melhor ainda para o evento. Meninas, eu e Thelma agradecemos o empenho de vocês em nos ajudar! Sem vocês, estaríamos perdidas... O melhor de tudo é trabalhar com gente que não fica de cara amarrada, não se chateia com os imprevistos, não se desespera quando tudo dá errado. O sorriso de vocês, o carinho e a fofice foram tudo de bom, suas lindas!

Notas sobre o ICCI (6)

A qualidade dos trabalhos apresentados no X ICCI foi surpreendente, não apenas em relação ao aspecto inovador das propostas de pesquisa, mas também em relação ao rigor conceitual e metodológico utilizado. Tenho sempre a impressão de que quem trabalha com assuntos que escapam do rigor acadêmico se preocupa excessivamente com os aspectos metodológicos e conceituais por uma questão de sobrevivência mesmo. Assim, tivemos trabalhos inovadores e absolutamente fora das "caixas acadêmicas", mas extremamente estruturados e fundamentados. Os títulos dos artigos já despertavam a curiosidade de quem estava nos corredores, trabalhos como Robocop e a Pós-Modernidade: Uma análise do corpo biocibernético-monstruoso, Os relatos pessoais da cidade: as micronarrativas de Humans of New York, Eu sou a Universal! A publicidade iurdiana e a concretude da felicidade terrena, entre outros, foram muito bem recebidos por todos.

Na sessão em que eu estava, tive a satisfação de ouvir a apresentação de Gustavo Lins com Lado nix: web-série ou série na web? Análise dos termos através de estudos narrativos em mapas, a Amanda Bueno com Anitta Oficial: a construção da imagem de celebridades na rede, a Lucille Batista com Espantos inesgotáveis: análise do uso de imagens em comunidades virtuais educativas no Facebook e a Izabel Lima com Texturas Sonoras: acessibilidade e ludicidade nos áudio games. Eu aprendi tanto nesse evento, levei tantas sacudidas epistemológicas que estou reconstruindo os meu foco de pesquisa para o próximo ano. Aliás, 2014 foi o ano de sair da caixa e enfrentar um mundão de ideias, conceitos e perspectivas tão diferentes do que eu estava acostumada que estou precisando de um freio de arrumação para me organizar internamente. Só tenho a agradecer aos participantes que vieram de longe para compartilhar as suas produções, interagir e prestigiar o nosso evento. Muito obrigada!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Notas sobre o ICCI (5)

Na parte da tarde, enfrentamos a falta de energia que transformou o auditório em uma sauna sem a parte boa: o cheiro de eucalipto e pessoas de toalha. A professora Zilda Lokoi (USP/Diversitas) que além de ser uma fofa, é uma mulher corajosa, apresentou sua conferência Imagens de imigrantes e de movimentos sociais nas mídias com questões atuais sobre os imigrantes em São Paulo que trabalham em condições análogas ao trabalho escravo. A programação da tarde previa a apresentação paralela dos trabalhos dos participantes com as conferências e, por causa da falta de energia, tivemos que aguardar um pouco porque o calor na parte da tarde nas salas de aula do Centro de Educação é uma mistura do verão senegalês com as florestas do Vietnã. Ficamos tão desesperadas que até cogitamos entregar os certificados dos participantes que estavam presentes sem a apresentação completa, mas quase tivemos um motim porque as pessoas queriam apresentar os seus trabalhos com o tempo integral que estava previsto! Gente, estou cansada de participar de eventos e o que eu mais reclamo é a falta de compromisso das pessoas que vão apresentar seus trabalhos porque todo mundo sempre está com pressa, quer sair mais cedo e ninguém quer ouvir os outros! Esse foi o primeiro evento que vi justamente o inverso: todo mundo querendo ouvir os colegas e apresentar a sua produção. Apesar de estar no olho do furacão que me rendeu uma dor de cabeça fenomenal, fiquei muito orgulhosa com o comprometimento dos participantes e mandamos abrir as salas na hora. Felizmente, em menos de dez minutos a energia voltou e tudo transcorreu tranquilamente, embora a programação tenha ficado atrasada.

Após a apresentação da professora Zilda, tivemos a mesa-redonda Cinema, baralho e post-it: formando espaços de aprendizagem com o professor do CIn, Alex Sandro Gomes (UFPE), Paulo André Silva (UFPE) e Alessandro Lima (UFPE). A discussão foi muito interessante e concluímos a mesa-redonda com muitas perguntas, trocas de experiências e questionamentos. O professor Alex Sandro sempre apresenta questões para virar ao avesso tudo o que conhecemos como líquido e certo e a pesquisa do seu grupo mostrou exatamente como precisamos pensar mais à frente. Logo em seguida, iniciamos as sessões com as apresentações de trabalhos que seriam realizadas no auditório e concluímos as atividades do dia que poderiam ser resumidas em uma só frase: entre mortos e feridos, salvaram-se todos!

Notas sobre o ICCI (4)

O segundo dia de atividades começou com a mesa-redonda Saberes locais na academia: metodologias participativas de pesquisa e construção do conhecimento, com os professores José Ribeiro (UAb Portugal), Sérgio Bairon (USP) e Renato Athias (UFPE). As questões sobre a participação dos sujeitos de pesquisa no próprio desenvolvimento do trabalho apresentou uma nova perspectiva para a atuação do pesquisador, principalmente em relação aos limites éticos e o respeito ao outro. Embora os exemplos apresentados estivessem relacionados com a cultura indígena, muitos dos impasses relatados poderiam ser aplicados ao contexto escolar também.

Em seguida, o professor Antonio Xavier trouxe a discussão sobre as imagens e mídias na pós-modernidade com a conferência Cultura digital, imagens e mídias na pós-modernidade. O debate se concentrou nas possibilidades de inovação a partir do uso do hipertexto no contexto da sala de aula. Já quase no final da palestra do professor Xavier, faltou energia no Centro de Educação e logo descobrimos que toda a universidade estava sem energia também. Fizemos a pausa para o almoço e torcemos para que o problema da falta de energia fosse resolvido logo. Nem desconfiávamos que o inferno do calor do Recife estava nos esperando na volta...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Notas sobre o ICCI (3)

A parte da tarde foi intensa porque tivemos muitos temas e perspectivas diferentes para discutir em pouco tempo. Começamos com o professor Mariano Báez Landa do CIESAS (México) com a conferência "Olhares antropológicos: a interface da antropologia e a multimídia". Foi muito interessante porque ele fez uma análise maravilhosa sobre os protestos no México e o papel das redes sociais propondo um outro viés de análise para as relações entre a mídia e os movimentos populares. Logo a seguir, tivemos uma mesa sobre a produção de documentários e a contribuição da antropologia visual para a Educação com o professor Rui Mesquita (Labutuca - UFPE), professor José Ribeiro (UAB - Portugal) e eu como mediadora da discussão.

A sensibilidade do professor Rui e os relatos das ações do Labutuca na Universidade foram muito elogiados por todos e o professor José Ribeiro alinhavou a questão do uso de documentários na Educação apresentando os aspectos teóricos da discussão e as possibilidades de interseção entre a antropologia visual e Educação. Terminamos a discussão já emendando com outra mesa sobre cultura digital na Educação com a professora Patrícia Smith (UFPE), o professor Sérgio Abranches (UFPE) e o professor Marcelo Sabattini (UFPE). Foram apresentadas perspectivas muito interessantes sobre o uso dos aparelhos móveis, as imagens nas redes sociais e a formação docente no contexto da cultura digital.

Ufa! Cansados? Pois ainda não acabou! Terminamos as atividades do dia com uma belíssima apresentação no Second Life com a professora Isa Seppi/ Janjii Rugani (Centro Universitário Senac – SP- Brasil) e Paula Justiça (Esgn - Portugal) com a colaboração de José Saldarriaga / Mauro Enyo - Peru, Paulo Fernandes/Genius Bikcin - Portugal, Vânia Assumção/Sophia Bandler – Brasil e Wanda Campos / Wan Laryukov – Portugal.

A performance de dança que eles apresentaram foi memorável e possibilitou uma excelente discussão sobre o uso do Second Life. Fim do dia, hora de juntar as forças que sobraram para descansar e enfrentar o segundo dia de trabalho com disposição e bom humor porque a interação com as pessoas e a complexidade das discussões fez todo o esforço dispendido valer muito a pena!

sábado, 13 de dezembro de 2014

Notas sobre ICCI (2)

O primeiro dia de atividades do ICCI começou tranquilo, tão tranquilo que as pessoas que chegavam para o evento pensaram até que não tinha evento! Iniciamos as atividades com a abertura para dar as boas-vindas aos convidados e participantes com a presença da coordenadora do Programa de Pós-graduação em Educação Matemática e Tecnológica - Edumatec, Professora Paula Baltar. A primeira conferência do dia foi "10 anos de ICCI e cooperação universitária internacional" com o Professor José Ribeiro, da Universidade Aberta de Portugal. Ele falou sobre os dez anos de atividades do ICCI e a importância da articulação e colaboração entre as instituições de diversos países. Ele traçou um histórico do evento que começou na cidade de Múrcia, na Espanha e as edições seguintes foram realizadas na cidade do Porto (Portugal), Sevilha (Espanha) e São Paulo (Brasil).

Logo em seguida tivemos a exposição do professor Sérgio Bairon da USP, "A relação dialógica entre a Cultura Letrada e a Cultura Oral na Produção Partilhada do Conhecimento". O professor Sérgio é uma figura incrível e trouxe reflexões importantíssimas sobre o não reconhecimento da cultura oral em nossa sociedade e as experiência com o projeto Diversitas em São Paulo. As atividades da manhã começaram intensas, mas a densidade da discussão era só um prenúncio do que viria na parte da tarde!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Notas sobre o ICCI (1)

A primeira coisa que passa pela cabeça de quem está coordenando um evento é "por que eu fui me meter nesta confusão"? A segunda coisa é "onde eu estava com a cabeça quando pensei que seria uma boa ideia"? Nada contra eventos, é claro, mas produzir qualquer evento científico com recursos escassos (=quase inexistentes) é tarefa que faz qualquer desafio de reality show parecer brincadeira de criança! A solução foi priorizar as pessoas e implorar para conseguir as coisas que faltavam. Eu e Thelma Panerai ficamos tão surtadas nas semanas anteriores ao evento que desconfio que as pessoas resolveram nos ajudar não por solidariedade, mas por medo mesmo. As pessoas olhavam para a nossa expressão de desespero com cabelos desgrenhados e olhos esbugalhados e deviam pensar "céus, é melhor ajudar antes que elas saiam daqui dentro de uma ambulância psiquiátrica"... Nós sabíamos que o evento seria pobre, mas não estávamos preparadas para chegar ao limite da miserabilidade. Felizmente, quase tudo deu certo e o mais importante foi ter conseguido acolher as pessoas com o carinho que elas mereciam. A Thelma Panerai (que foi minha companheira incansável de loucura organização) é muito criteriosa e fez questão de conseguir um bom hotel para os palestrantes, de ir buscá-los no aeroporto etc. São pequenos gestos que fazem muita diferença para quem veio de longe e enfrentou uma viagem desconfortável apenas porque acredita no compartilhamento do conhecimento. Fizemos o melhor (muito além do que poderíamos) e espero que as pessoas tenham se sentido acolhidas e bem-vindas. No final do dia, com os pés doendo e o corpo no limite da exaustão, é só isso que faz a diferença!

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Luta pela continuidade das políticas de valorização das universidades públicas

A sociedade brasileira está na iminência de definir que conjunto de forças políticas irá governar o país nestes próximos anos. Mais uma vez nos defrontamos com a necessidade de escolher entre um programa voltado a fortalecer as instituições públicas e outro que aposta no mercado como instância capaz e suficiente em si mesma de organizar a vida social. Aqueles que fazem as Universidades Federais sabem perfeitamente que essa visão dicotômica está longe de ser simplificadora. A memória dos anos 1990 ainda é bem viva em todos aqueles que estudaram ou trabalharam em uma instituição federal de ensino superior. Foram anos desastrosos para as Universidades, que só agora, e a muito custo, estamos conseguindo superar. Uma comparação inicial já demonstra esta diferença de pensar a sociedade, o governo e a gestão do ensino superior. Nos últimos 12 anos, as universidades públicas federais brasileiras tiveram acelerada recuperação da situação de falência vivida nos anos 1990, enquanto as estaduais paulistas, administradas há 24 anos por sucessivos governos do PSDB, estão na mais aguda crise das últimas décadas (“Em crise, Unesp apela para aulas online”, O Estado de São Paulo – 07/10/2014). Esse estado de coisas, não nos iludamos, decorre de uma concepção que secundariza a universidade pública e a entende como mera prestadora de um serviço de natureza privada e que, portanto, conforme declarou um dos economistas que tem se destacado como formulador do programa econômico do candidato tucano, Samuel Pessôa, em matéria de opinião publicada na Folha de São Paulo, no dia 26/06/2014, as universidades, ainda que públicas, devem cobrar mensalidades, uma vez que "agregam valor" a seus estudantes. O título de seu artigo, a rigor, já diz tudo: “Universidade Paga”.

É preciso, pois, lembrar aos que porventura esqueceram, e alertar as novas gerações, do imenso perigo que estamos a passar. A eventual eleição do candidato do PSDB, Aécio Neves, representa um risco de enormes proporções. Abaixo destacamos alguns traços denunciadores da situação que vivíamos nos anos 1990. Não se investia em instalações físicas, compra de equipamentos ou de livros. Os laboratórios eram extremamente precários e deteriorados; os acervos das bibliotecas não eram renovados nem, muito menos, ampliados; os banheiros eram abjetos, a falta d’água era constante, e a limpeza esporádica; as salas de aula eram desconfortáveis e muitas vezes sequer tinham carteiras em número suficiente para os estudantes matriculados.

Em conformidade com sua política de desvalorização e esvaziamento das Universidades, o governo do PSDB praticou uma política salarial extremamente restritiva, sem reajustes, e com a implantação de uma série de "gratificações" que visavam comprimir os vencimentos e aposentadorias, resultando numa enorme precarização da atividade docente. As bolsas disponíveis para alunos de graduação, pós-graduação e pesquisadores eram em número ínfimo e seus valores mantiveram-se inalterados por praticamente todos os 8 anos de governo. Do mesmo modo, e pelas mesmas razões, os financiamentos à pesquisa por órgãos como CNPq, Capes e Finep eram irrisórios.

Sabemos bem que a vida pulsante de uma instituição universitária não pode ser plenamente capturada e reduzida a uns tantos dados quantitativos. Mas tampouco prescinde deles. Por isso, listamos abaixo, a título de exemplo, alguns dados que julgamos expressivos (alguns deles de âmbito nacional e outros relativos à UFPE – fontes: CNPq; Capes; Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão - MPOG; UFPE).

O orçamento da Capes, considerando-se apenas os valores destinados às rubricas bolsas e fomento, aumentou 9 vezes, passando de R$ 580 milhões (2004) para R$ 5,3 bilhões (2013). Destaque-se, quanto a isto, a implantação de um novo programa de bolsas – PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) – voltado para estudantes de licenciatura, com o intuito de estimular a carreira docente e estreitar a relação entre IFES e as Escolas de ensino básico. O MCT, por sua vez (que abriga o CNPq e Finep), teve seu orçamento aumentado em 3,8 vezes, passando de R$ 2,5 bi (2002) para R$ 9,5 bi (2014);

O orçamento da UFPE (entre 2002 e 2013) também teve aumento significativo, passando de R$ 260 mi para R$ 1,08 bi (acréscimo de 318%);

No caso do nº de laboratórios existentes/UFPE (entre 2002 e 2012), o aumento foi de 19%;

O nº de professores efetivos/UFPE aumentou 36% entre 2002 e 2013 (e a relação professor substituto/efetivo baixou de 21% para 14%);

Houve um acréscimo de 24% no nº de técnico-administrativos/UFPE (entre 2002 e 2013);

Os investimentos em edificações e instalações físicas/UFPE (entre 2002 e 2012) resultou num acréscimo de 18% em área construída (considerando apenas o campus Recife);

A quantidade de estudantes de graduação e pós-graduação/UFPE (entre 2002 e 2013) teve um crescimento de 52%;

O nº de bolsas destinadas exclusivamente a estudantes de graduação/UFPE (entre 2002 e 2012) aumentou em 141% (passando de 1567 para 3792 bolsas).

Não nos enganemos, vitoriosas as forças que a candidatura Aécio representa, teremos anos muito difíceis pela frente. Por isso, concitamos a todos/as que partilham dessa mesma preocupação a desempenhar um papel ativo no sentido de divulgar essa mensagem e conversar com seus colegas, alunos, amigos, familiares alertando-os acerca da gravidade do momento.

Profa. Lady Selma (Antropologia/UFPE) e o Prof. Ricardo Pinto (Arqueologia/UFPE)

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

X ICCI GT6: Produção Partilhada do Conhecimento

O grupo propõe explorar a temática da relação entre, de um lado, novas formas dialógicas de produção de conhecimento no âmbito acadêmico e, do outro lado, uma maior aproximação com comunidades e saberes orais tradicionais. Inscrições abertas até o dia 15/09.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

X ICCI GT5: Cinema e Sociedade

Este GT entende o cinema como a matriz da linguagem do movimento, que hoje podemos considerar expandida nas diversas mídias audiovisuais, como meio de comunicação de massas e como arte. Com o poder de emocionar, ensinar, entreter e promover a reflexão do público, tem a capacidade de desenvolver-se em duas direções indissociáveis: a produção e a recriação. Ficcional, documentário, institucional, seriado, etc., este GT está aberto às pesquisas, estudos e realizações fílmicas que possam revelar a sociedade no cinema e o cinema na sociedade. Inscrições abertas até o dia 15/09.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

X ICCI GT4: Cultura Visual e Sonora

O GT aborda a articulação com uma Antropologia da Imagem, campo interdisciplinar atento à forma como as manifestações visuais e audiovisuais expressam significados culturais. Visa discutir a imagem pela via de um debate aprofundado sobre estratégias de questionamento teórico e desenvolvimento de metodologias de pesquisa que envolvam tanto a produção de dados em campo, como o posterior tratamento destes na elaboração de narrativas sobre a vida social e a cultura. Também busca refletir sobre o lugar do sonoro (música, paisagens e ambiências sonoras de diferentes territórios). Inscrições abertas até o dia 15/09.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

X ICCI GT3: Publicidade, Imagem corporativa e Cultura de Consumo

Este Grupo de Trabalho busca pensar as dimensões das imagens corporativa, de marcas de produtos e serviços, a partir da presença mediatizada destas no âmbito do consumo com suas implicações na constituição dos sentidos das culturas. Inscrições abertas até o dia 15/09.

domingo, 24 de agosto de 2014

X ICCI GT2: Teoria, Metodologia e Tecnologias na investigação

Este grupo visa discutir teorias, metodologias e técnicas na investigação da cultura como forma de comunicação, entendendo que esta reflexão faz-se necessária ao aprofundamento do fazer científico. Inscrições abertas até o dia 15/09.

sábado, 23 de agosto de 2014

X ICCI GT1: Cultura digital, comunidades virtuais e jogos digitais

Este grupo visa discutir as implicações da digitalização de diversas manifestações culturais, especialmente o que ocorre a partir das comunidades em rede pela via dos computadores, bem como as produções no formato jogos digitais e seus efeitos na cultura contemporânea. Inscrições de trabalhos até o dia 15/09.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

X Seminário Internacional Imagens da Cultura - Cultura das Imagens (ICCI)

Estão abertas as inscrições para o X Seminário Internacional Imagens da Cultura - Cultura das Imagens (ICCI) que acontecerá nos dias 25 e 26 de novembro, no Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco. Nesta edição do ICCI vamos comemorar os dez anos do evento que vem possibilitando a colaboração entre pesquisadores brasileiros e de países como Portugal, Espanha, Argentina, México e França. O Programa de Pós-graduação em Educação Matemática e Tecnológica é responsável pela organização do evento que tem como coordenadores a autora deste blog, o Professor Doutor José Ribeiro, da Universidade Aberta e a Professora Doutora Thelma Panerai, da UFPE. O evento terá conferências de professores de renomadas universidades nacionais e internacionais, mesas temáticas e apresentações de artigos distribuídos em seis grupos de trabalho: Cultura Digital, comunidades virtuais e jogos digitais; Teoria, metodologia e tecnologias na investigação; Publicidade, imagem corporativa e cultura de consumo; Cultura visual e sonora; Cinema e sociedade; Produção partilhada do conhecimento. As inscrições de trabalhos estão abertas até o dia 15 de setembro e o valor das inscrições é bastante acessível. Esperamos por vocês!

terça-feira, 8 de julho de 2014

Eu e Michael Fischer

A construção teórica de cada um na academia é um percurso absolutamente pessoal, influenciado por vários fatores que variam desde a identificação com uma determinada corrente, até a existência de um guru intelectual. Depois que você estabelece o seu percurso, seus ouvidos ficam sensíveis e ouvir discursos que vão de encontro ao que você pensa provoca dor nos ouvidos, reviravolta no estômago e pontadas no fígado. Já ouvi dizer que algumas pessoas até desmaiam quando são contrariadas em seus pressupostos teóricos e epistemológicos, mas acho que é um exagero. Também sinto dores nos ouvidos e elas estão relacionadas com a insistência de alguns pesquisadores em tratar as tecnologias digitais como uma ruptura total do modelo anterior existente em nossa sociedade. A coexistência está aí, na frente de nossos olhos, seja no percentual da população sem acesso ao computador e internet, seja nas ações cotidianas que não necessitam de tecnologia. Eu prefiro tratar as tecnologias digitais como um processo, como mais um elemento tecnológico que será absorvido, apropriado, reconfigurado, transformado e trocado pelo próximo invento que provocará muitos ahhhhhs, ohhhhhs e teorias sobre como "nunca antes a humanidade esteve tão_______" (complete os espaços com o texto que quiser, vários autores por aí podem ajudar). Atualmente estou debruçada sobre o texto de um antropólogo muito interessante, chamado Michael Fischer. Seu livro "Futuros Antropológicos: redefinindo a cultura na era tecnológica" trata da questão de uma forma quase cínica, embora a leitura não seja fácil. Quem me apresentou o Fisher foi o professor José Ribeiro, meu supervisor do pós-doc e nós dois gostamos muito da seguinte passagem (repetida insistentemente ao longo do livro): "Cultura é aquele todo relacional (1848), complexo (1870), cujas partes não podem ser modificadas sem afetar as outras partes (1914), mediado por formas simbólicas, potentes e poderosas (1930), cujas multiplicidades e cujo caráter performativamente negociado (1960), são transformados por posições alternativas, formas organizacionais e o alavancamento de sistemas simbólicos (1980), assim como pelas novas e emergentes tecnociências, meios de comunicação e relações biotécnicas (2007)". Fischer acrescenta a definição de cultura ao longo do seu texto, inserindo os conceitos mais recentes logo após ao pressusposto anterior, buscando apresentar a lógica de sua perspectiva histórica. É uma boa ironia para discutir o "novo" que surge a cada tendência... Outra passagem interessante do texto: "Os teóricos culturais e sociais voltaram-se para as tecnologias e para as tecnociências em torno dos quais as sociedades contemporâneas se constroem para encontrar metáforas adequadas para a descrição, o exame, a comparação e o contraste dessas sociedades, umas com as outras e com suas predecessoras". Então, como vocês podem ver, não existe ruptura radical nenhuma, muito menos provocada pelas tecnologias digitais. Estamos apenas fazendo mais do mesmo e nos reinventando o tempo todo! "Ba dum tss"...

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