quinta-feira, 28 de agosto de 2014

X ICCI GT6: Produção Partilhada do Conhecimento

O grupo propõe explorar a temática da relação entre, de um lado, novas formas dialógicas de produção de conhecimento no âmbito acadêmico e, do outro lado, uma maior aproximação com comunidades e saberes orais tradicionais. Inscrições abertas até o dia 15/09.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

X ICCI GT5: Cinema e Sociedade

Este GT entende o cinema como a matriz da linguagem do movimento, que hoje podemos considerar expandida nas diversas mídias audiovisuais, como meio de comunicação de massas e como arte. Com o poder de emocionar, ensinar, entreter e promover a reflexão do público, tem a capacidade de desenvolver-se em duas direções indissociáveis: a produção e a recriação. Ficcional, documentário, institucional, seriado, etc., este GT está aberto às pesquisas, estudos e realizações fílmicas que possam revelar a sociedade no cinema e o cinema na sociedade. Inscrições abertas até o dia 15/09.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

X ICCI GT4: Cultura Visual e Sonora

O GT aborda a articulação com uma Antropologia da Imagem, campo interdisciplinar atento à forma como as manifestações visuais e audiovisuais expressam significados culturais. Visa discutir a imagem pela via de um debate aprofundado sobre estratégias de questionamento teórico e desenvolvimento de metodologias de pesquisa que envolvam tanto a produção de dados em campo, como o posterior tratamento destes na elaboração de narrativas sobre a vida social e a cultura. Também busca refletir sobre o lugar do sonoro (música, paisagens e ambiências sonoras de diferentes territórios). Inscrições abertas até o dia 15/09.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

X ICCI GT3: Publicidade, Imagem corporativa e Cultura de Consumo

Este Grupo de Trabalho busca pensar as dimensões das imagens corporativa, de marcas de produtos e serviços, a partir da presença mediatizada destas no âmbito do consumo com suas implicações na constituição dos sentidos das culturas. Inscrições abertas até o dia 15/09.

domingo, 24 de agosto de 2014

X ICCI GT2: Teoria, Metodologia e Tecnologias na investigação

Este grupo visa discutir teorias, metodologias e técnicas na investigação da cultura como forma de comunicação, entendendo que esta reflexão faz-se necessária ao aprofundamento do fazer científico. Inscrições abertas até o dia 15/09.

sábado, 23 de agosto de 2014

X ICCI GT1: Cultura digital, comunidades virtuais e jogos digitais

Este grupo visa discutir as implicações da digitalização de diversas manifestações culturais, especialmente o que ocorre a partir das comunidades em rede pela via dos computadores, bem como as produções no formato jogos digitais e seus efeitos na cultura contemporânea. Inscrições de trabalhos até o dia 15/09.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

X Seminário Internacional Imagens da Cultura - Cultura das Imagens (ICCI)

Estão abertas as inscrições para o X Seminário Internacional Imagens da Cultura - Cultura das Imagens (ICCI) que acontecerá nos dias 25 e 26 de novembro, no Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco. Nesta edição do ICCI vamos comemorar os dez anos do evento que vem possibilitando a colaboração entre pesquisadores brasileiros e de países como Portugal, Espanha, Argentina, México e França. O Programa de Pós-graduação em Educação Matemática e Tecnológica é responsável pela organização do evento que tem como coordenadores a autora deste blog, o Professor Doutor José Ribeiro, da Universidade Aberta e a Professora Doutora Thelma Panerai, da UFPE. O evento terá conferências de professores de renomadas universidades nacionais e internacionais, mesas temáticas e apresentações de artigos distribuídos em seis grupos de trabalho: Cultura Digital, comunidades virtuais e jogos digitais; Teoria, metodologia e tecnologias na investigação; Publicidade, imagem corporativa e cultura de consumo; Cultura visual e sonora; Cinema e sociedade; Produção partilhada do conhecimento. As inscrições de trabalhos estão abertas até o dia 15 de setembro e o valor das inscrições é bastante acessível. Esperamos por vocês!

terça-feira, 8 de julho de 2014

Eu e Michael Fischer

A construção teórica de cada um na academia é um percurso absolutamente pessoal, influenciado por vários fatores que variam desde a identificação com uma determinada corrente, até a existência de um guru intelectual. Depois que você estabelece o seu percurso, seus ouvidos ficam sensíveis e ouvir discursos que vão de encontro ao que você pensa provoca dor nos ouvidos, reviravolta no estômago e pontadas no fígado. Já ouvi dizer que algumas pessoas até desmaiam quando são contrariadas em seus pressupostos teóricos e epistemológicos, mas acho que é um exagero. Também sinto dores nos ouvidos e elas estão relacionadas com a insistência de alguns pesquisadores em tratar as tecnologias digitais como uma ruptura total do modelo anterior existente em nossa sociedade. A coexistência está aí, na frente de nossos olhos, seja no percentual da população sem acesso ao computador e internet, seja nas ações cotidianas que não necessitam de tecnologia. Eu prefiro tratar as tecnologias digitais como um processo, como mais um elemento tecnológico que será absorvido, apropriado, reconfigurado, transformado e trocado pelo próximo invento que provocará muitos ahhhhhs, ohhhhhs e teorias sobre como "nunca antes a humanidade esteve tão_______" (complete os espaços com o texto que quiser, vários autores por aí podem ajudar). Atualmente estou debruçada sobre o texto de um antropólogo muito interessante, chamado Michael Fischer. Seu livro "Futuros Antropológicos: redefinindo a cultura na era tecnológica" trata da questão de uma forma quase cínica, embora a leitura não seja fácil. Quem me apresentou o Fisher foi o professor José Ribeiro, meu supervisor do pós-doc e nós dois gostamos muito da seguinte passagem (repetida insistentemente ao longo do livro): "Cultura é aquele todo relacional (1848), complexo (1870), cujas partes não podem ser modificadas sem afetar as outras partes (1914), mediado por formas simbólicas, potentes e poderosas (1930), cujas multiplicidades e cujo caráter performativamente negociado (1960), são transformados por posições alternativas, formas organizacionais e o alavancamento de sistemas simbólicos (1980), assim como pelas novas e emergentes tecnociências, meios de comunicação e relações biotécnicas (2007)". Fischer acrescenta a definição de cultura ao longo do seu texto, inserindo os conceitos mais recentes logo após ao pressusposto anterior, buscando apresentar a lógica de sua perspectiva histórica. É uma boa ironia para discutir o "novo" que surge a cada tendência... Outra passagem interessante do texto: "Os teóricos culturais e sociais voltaram-se para as tecnologias e para as tecnociências em torno dos quais as sociedades contemporâneas se constroem para encontrar metáforas adequadas para a descrição, o exame, a comparação e o contraste dessas sociedades, umas com as outras e com suas predecessoras". Então, como vocês podem ver, não existe ruptura radical nenhuma, muito menos provocada pelas tecnologias digitais. Estamos apenas fazendo mais do mesmo e nos reinventando o tempo todo! "Ba dum tss"...

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Cultura e imagem: alguns experimentos interessantes...

Estou construindo um projeto interessante com o uso de imagens e vídeos e o mínimo de texto possível. Um recorte desse projeto está aqui.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Próximo evento: Coimbra!

Estou preparando a minha apresentação para o Congresso Internacional Territórios, Comunidades Educadoras e Desenvolvimento Sustentável que acontecerá entre os dias 1 e 4 de julho, em Coimbra. Fui gentilmente convidada pela professora Márcia Barbosa, professora da Universidade Federal de Pernambuco que está desenvolvendo atividades de pós-doc em Coimbra. O Congresso é "uma organização conjunta entre duas faculdades da Universidade de Coimbra, a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação e a Faculdade de Letras, enquadrando-se em particular no trabalho de uma equipa do GRUPOEDE do CEIS20 que, ao longo dos últimos anos, tem ajudado diferentes municípios em questões de planeamento da educação no território, assentando os últimos contributos nos Projetos Educativos Locais, documentos de planeamento estratégico na área da educação". O evento propõe discussões muito interessantes sobre as configurações territoriais e Educação. Vou participar de uma mesa-redonda no eixo temático 4: Educação, Patrimônio e Cultura. Espero contribuir para as discussões e aprender bastante!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Uma breve reflexão sobre as escolas de Portugal

Eu ainda vou escrever mais detalhadamente sobre a experiência do pós-doc, mas não posso deixar de pensar no conceito de deslocamento das identidades do Stuart Hall. Além de todo o envolvimento acadêmico que as experiências com outros marcos teóricos, campos de pesquisa, relações de trabalho e pesquisa permitem, existe a necessidade de mudar o seu ponto de equilíbrio, colocar em dúvida as suas certezas e, sobretudo, mudar a perspectiva. O contraponto da realidade das escolas públicas em Portugal com a realidade brasileira é gritante, mas o mais assombroso é que somos tão iguais e ao mesmo tempo completamente diferentes. Em alguns momentos, quando ouço os meus sujeitos de pesquisa, me sinto arrastada em um vértice temporal e vejo que a nossa realidade hoje reflete o contexto deles há dez anos. Não pensem que tudo é mais fácil aqui, porque não é!

O país vive um momento difícil e o mais surpreendente é que mesmo em um contexto tão desfavorável, as condições de trabalho e a estrutura das escolas é impressionante. A escola que ilustra esse post não fica na região mais privilegiada do país e muito menos é uma escola que foi especialmente contemplada pelo poder público. É uma escola linda, iluminada e equipada que conta com um trabalho de gestão primoroso. São realizados projetos diversificados que buscam encontrar formatos e propostas que sejam adequadas aos seus alunos. Trabalhoso, sem dúvida, mas absolutamente necessário para vencer a evasão e o insucesso escolar.

O resultado da minha imersão no campo de pesquisa foi o surgimento de muitas outras questões, mas é isso que torna a pesquisa estimulante para mim: entrar com um problema e sair com meia dúzia para destrinchar! Estou feliz com tudo que vi, ouvi e percebi por aqui...Agora é arregaçar as mangas e escrever porque os artigos não vão ficar prontos sozinhos!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Curtas animadas e as minhas pesquisas

Eu gosto muito do conceito de usar imagens, vídeos, animações etc como estratégia de aprendizagem. Estou particularmente interessada pela dinâmica do seu uso em diversos contextos da cultura digital. Ontem, eu encontrei uma animação fantástica por indicação da minha amiga querida, Adelice Luz, através de uma rede social. Estou reforçando o meio pelo qual encontrei o filme porque é exatamente isso que tenho pesquisado. São as redes e suas dinâmicas que estão assumindo um papel importante e inesperado na difusão e compartilhamento das informações. A animação "Contre Temps" conta a seguinte história: "Em um planeta inundado, um senhor vive em sua casa junto com a sua coleção de relógios, ele espera todo dia a maré baixar para andar pela cidade e procurar por novos relógios para sua coleção. Um dia em sua busca ele entra em um local lacrado e encontra uma garota vivendo lá sozinha, ele a deixa sozinha e segue por sua busca por novos relógios. Quando a maré começa a subir, ele percebe que a garotinha irá se afogar e ele decide salvá-la". Com direção de Jérémi Boutelet, Tristan Ménard, Thibaud Clergue, Camille Perrin, Gaël Megherbi e Lucas Veber, o filme é um espetáculo para os olhos e para a alma.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Conferência Cinema e Novas Tecnologias em Ponte de Lima

O fim de semana teve trabalho prolongado, depois das atividades no evento em Viana do Castelo, partimos para Ponte de Lima para falar sobre o Cinema e as Novas Tecnologias. O local do evento já era inusitado: a antiga prisão das mulheres foi transformada em um café fofíssimo com uma área no segundo andar para a realização de eventos. O interessante é que ao invés das tradicionais cadeiras enfileiradas, o espaço da plateia é uma espécie de arquibancada de madeira com almofadas confortáveis para as pessoas se esparramarem mesmo. Como diz o Robson Freire, um local de dor e sofrimento foi transformado em um espaço acolhedor para disseminação do conhecimento e reflexão. Adoramos! A conferência foi uma delícia, conseguimos articular conhecimentos e perspectivas diferentes através de ganchos entre as falas de cada um, provocando excelentes intervenções do público. O querido José Ribeiro falou sobre as descobertas determinantes na inovação tecnológica do cinema, como a montagem, até a chegada do digital que possibilita a popularização da produção de vídeos.

Eu falei sobre a relação entre a formação a distância e o uso de filmes nas salas de aula da Educação Básica na perspectiva da cultura digital. Robson Freire abordou o cinema e o ensino de História através das propostas de blogs e o Gabriel Omar Alvarez fez uma bela apresentação sobre a sua experiência em realizar filmes em comunidades indígenas na região amazônica. Fomos muito bem recebido por Catarina, coordenadora local da Universidade Aberta, competente, eficiente e muito simpática. O local do evento fica em frente ao principal ponto turístico da cidade, uma ponte construída pelos romanos em 135 a.c e tem uma história linda: dizem que os soltados de Brutus ao se depararem com a beleza do rio Lima, acreditaram que era o rio do esquecimento. Quem atravessasse o rio, perderia a memória imediatamente.

Para provar aos soldados que não era verdade, Brutus atravessou o rio e do outro lado da margem, chamou os soldados pelo nome, um por um. Atravessamos a ponte e ficamos impressionados com as águas transparentes do rio e a beleza do lugar. Penso que este é o ponto de equilíbrio da alma: trabalho gratificante, compartilhamento, história e uma beleza natural de encher os olhos e a alma!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Muito trabalho em Viana, excelentes resultados!

A minha participação na 3ª Conferência Internacional de Cinema de Viana foi um momento interessante para realizar boas reflexões não apenas sobre o aspecto acadêmico, mas também sobre a organização do evento e a existência de outras estruturas possíveis para eventos científicos. A questão mais interessante foi a preocupação dos organizadores do evento em receber bem as pessoas e criar condições para que todos se sentissem confortáveis. A alimentação no local, oferecida pelo evento, é um elemento importante, assim como a estrutura das apresentações em pequenos grupos com mais tempo para as apresentações, mas muito menos cansativo para a plateia e para os participantes. O nível dos trabalhos apresentados também exige um pouco mais de tempo para as apresentações e discussões, pois tratam de temas complexos, como o papel do cinema na construção da ética na sociedade ou a biogenética e Blade Runner como elementos de reflexão da sociedade em que vivemos hoje. Um trabalho fantástico que foi apresentado na sessão em que eu estava, mostrava a experiência de usar a lanterna mágica como instrumento de aprendizagem para jovens com deficiência em um centro de formação profissional. A discussão sobre o cinema na escola indicou a necessidade de autoria e produção dos alunos com a inserção da formação em cinema já na Educação Básica. A cidade onde aconteceu o evento é um espetáculo com suas ruas medievais estreitas que desembocam em largos com nomes sonoros, prédios históricos muito bem conservados e enfeitados com flores. Ainda assim, o meu relato não indicaria nada diferente de outros eventos se não fosse o elemento que considero o mais importante: a acolhida dos organizadores, desde a nossa chegada na mesa de recepção, até o jantar oferecido na noite de sexta-feira, um ótimo espaço para confraternizar, compartilhar e conhecer as pessoas. Sem dúvida, nós brasileiros temos muito calor humano e somos agradáveis, mas os portugueses também tem tudo isso e uma cordialidade que deixam qualquer pessoa encantada!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Programação da 3ª Conferência Internacional de Cinema de Viana

Está disponível a programação da 3ª Conferência Internacional de Cinema de Viana que acontecerá entre 28 de abril e 04 de maio em Viana do Castelo. Teremos muitos trabalhos interessantes sobre arte digital, cultura digital, Second Life, Educação a Distância, entre outros temas. Meu texto é sobre o uso de Filmes como estratégia didática nas licenciaturas à distância: em busca de novas narrativas para os futuros docentes. Eu realmente estou em busca de novos olhares sobre a EaD...

Workshop Itinerários para Antropologia Recíproca

sábado, 26 de abril de 2014

No Porto

As cidades exercem um fascínio tão grande em mim que fui estudar e escrever sobre o urbano durante um bom tempo da minha vida. Conhecer o Porto tem sido uma experiência única e difícil descrever. Uma aluna referiu-se ao Porto como uma cidade encantadora, uma reportagem para turistas fala em cidade mágica, a sua história é fantástica, a sua geografia é surpreendente com suas pontes em grandes alturas e penso que é tudo isso e muito mais. Tenho certeza que a J.K. Rowling criou o beco diagonal em Harry Potter inspirada no tempo em que morou aqui! Foi difícil conciliar a necessidade de desvendar a cidade ao mesmo tempo em que eu tinha que concluir as pendências burocráticas e operacionais para viver aqui. O processo de instalação para morar em outro país não é fácil, mesmo que seja por um tempo determinado. Tudo acontece ao mesmo tempo: procurar casa, escola, panela, providenciar documentos, participar de eventos... Creio que levei um mês para ajustar a rotina e equilibrar as tarefas. Eu tive muita sorte em ser tão bem recebida pelo meu orientador do pós-doc, ele merece um post só para falar sobre as suas qualidades, mas basta dizer que ele fez com que eu me sentisse em casa. Nada e fácil: o frio é impiedoso, a chuva é irritante, alugar casa não é tão simples quanto parece e você frequentemente estará dentro de um círculo de obstáculos que mais parece uma armadilha. Apenas um exemplo: você não pode alugar casa se não tiver o NIF (o nosso CPF no Brasil), mas não pode tirar o NIF se não tiver um comprovante de residência no seu nome! Hã? A solução foi pedir, muito sem graça, para o meu orientador se responsabilizar por mim na Secretaria da Fazenda. Além de discutir questões acadêmicas e enfiar antropologia visual na minha cachola (que já não é mais a mesma faz tempo), o coitado ainda teve que ser meu responsável fiscal! Depois das contas devidamente prestadas para a Capes, filha matriculada na escola e as mínimas (mesmo!) condições de sobrevivência garantidas, pude começar a me dedicar aos estudos e ao campo de pesquisa. Estou encantada com a antropologia visual e aprendi muito sobre a etnografia virtual nos últimos dois meses. Em cada passo que eu dou, penso em como poderei ser útil para os meus alunos e orientandos. Espero multiplicar tudo que estou aprendendo muitas e muitas vezes... As coisas que tenho aprendido com o Professor José Ribeiro no campo teórico e metodológico são muito importantes, mas as coisas que ele tem me ensinado sobre generosidade, história de vida e conhecimento, são essenciais!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A senhora é qualificada?

A pergunta pode parecer estranha, mas foi o que me disse a funcionária do consulado quando entreguei TODOS os documentos exigidos. Menos o diploma do doutorado, é claro! Eu queria muito saber porque algumas pessoas pensam que existe glamour em estudar em outro país. Claro que a experiência é válida e importante, mas o caminho até o nirvana acadêmico é longo e tortuoso, principalmente quando o país de destino parece não querer você lá. O centro do problema está em colocar na mesma condição todas as pessoas que solicitam o visto, seja para estudar, trabalhar ou viver. Você tem que comprovar os meios de subsistência (ok, eu tinha a carta de Capes), o seguro no valor de 30.000 euros (ok, não vou onerar o seu sistema de saúde), comprovante de alojamento (mas eu vou ficar seis meses, tenho que alugar uma casa quando chegar lá!), comprovante de que não tem antecedentes da polícia federal (não vale o da Internet, tem que ser assinado, carimbado e com firma reconhecida!) e mais outros tantos papéis que eu não me lembro. Não pedia o diploma, eu tenho certeza, mas foi solicitado depois da segunda vez em que estive lá. Detalhe: com reconhecimento de firma do reitor, pró-reitor ou sei-lá-quem que tenha assinado o maldito! Voltei para casa, fui até a universidade para saber em quais cartórios os gestores da época tinham firma, fui até o cartório, paguei o reconhecimento de firma e voltei. De novo. Foram três tentativas para conseguir despachar o pedido de visto para Salvador. Me cobraram a taxa de visto de residência temporária, embora o site afirme que existe isenção para quem vai fazer estudos de investigação altamente qualificada, paguei pelo reconhecimento da firma reconhecida no diploma (é isso mesmo!), ouvi reclamação até por ter feito a reserva do hotel pela Internet (oi? Que ano é hoje?)! Pelo visto, não sou tão qualificada assim, vocês não acreditariam nos questionamentos:

- Pós-doc? Como assim? A senhora é qualificada? Tem que apresentar um documento mostrando que a senhora tem condições de proceder com a investigação!

- Mas eu trouxe a carta da Capes! disse eu atônita. O pedido é para um pós-doc (o que pressupõe que eu seja qualificada) e a carta é bem explícita no seu conteúdo e serve exatamente para solicitar o visto e resolver os problemas burocráticos.

- Capes? Ahn... Isso é só um órgão do governo que financia a sua pesquisa, não serve. A senhora precisa comprovar a sua qualificação!

É isso, senhoras e senhores, a Capes é APENAS um órgão do governo... Eu só lembrava da minha querida Thelma Panerai que volta e meia é punida em suas viagens por causa da sua indignação. Recolhi a minha irritação e fui providenciar os documentos exigidos. Depois de entregar tudo, fiquei em dúvida se daria tempo, a passagem estava comprada (porque eles exigem isso para fornecer o visto). A funcionária disse que nada era garantido e que se o visto não fosse entregue no prazo, eu teria que trocar a passagem. Simples assim! Perguntei se eu poderia ligar para Salvador para acompanhar o processo. Ela disse que eles não forneceriam nenhuma informação, que nem adiantava tentar. - A senhora vai ter que esperar, concluiu, seca, amargurada e sem nenhuma intenção de facilitar a minha vida. Passei as quatro semanas seguintes estressada, correndo atrás das outras pendências e morrendo de medo de tudo dar errado. No auge da minha angústia, resolvi ligar para Salvador, morrendo de medo de receber uma resposta atravessada. Vai que eles cancelam o meu visto por causa disso? Liguei e para a minha surpresa, já no menu existia uma opção para acompanhamento dos pedidos de visto. Ué, mas ela não me disse que eles não forneciam informações por telefone? Atendeu uma mulher, gentil, simpática e prestativa. Disse que o visto já tinha sido aprovado e que seria despachado uma semana antes da viagem. Eu podia ligar no dia previsto para o envio para saber. A funcionária não deve ter entendido nada porque eu agradeci quase chorando, muito obrigada, minha senhora, muito, muito, obrigada! Desliguei e dancei pela sala, feliz da vida e encantada com o tratamento! Mas vamos supor que eu estivesse sendo dura e ressentida, vamos supor que eu dei sorte naquele dia e peguei uma funcionária inexplicavelmente amável. Liguei de novo no dia combinado e foi um homem que atendeu. Perguntei sobre o visto e ele foi tão (ou mais) simpático quanto a outra funcionária, disse que o visto tinha sido despachado e já tinha sido entregue no Recife (mas ninguém do Recife me ligou para avisar). Terminou a ligação com um "pode ir lá buscar, Pimentinha!". Fui buscar o visto dois dias antes da viagem e acreditando que eu apenas dei azar nas TRÊS vezes em que estive no consulado. Ledo engano... Cheguei lá e encontrei o mesmo tratamento. Passei a mão no passaporte e fui embora com uma certeza: tomara que eu nunca mais precise voltar aqui!

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