quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Avanca 2016: Conferência Internacional de Cinema

A 7ª Conferência Internacional de Cinema aconteceu em Avanca (Portugal) no final do mês de julho. Além do calor inacreditável, encontramos também excelentes discussões sobre Cinema e Educação em diversas possibilidades de formatos, mídias e linguagens. Esse foi um aspecto importante que observei no evento: as discussões e reflexões não ficaram restritas aos elementos do cinema ou do campo da Educação, existe uma proposta de relacionar diversos aspectos de diferentes áreas para compreender as possibilidades e propor novos caminhos. Gostaria de comentar três trabalhos que considero ótimos exemplos do que aconteceu em Avanca:

I – Costume e Cinema: The Italian School of the Costume Designers for Cinema. Os italianos Marcello Zeppi e Monica Gallai apresentaram uma discussão muito interessante sobre o papel das escolas de designers de Florença e o papel do poder público e das Fundações para não deixar que esse conhecimento histórico, que tornou a cidade um polo de ensino e difusão do design dos figurinos de cinema, teatro e óperas, seja perdido. A reflexão sobre a história da cidade, a organização social e o sistema escolar, foi fantástica.

II- Educational Use of English Cinema in Classroom. A professora Yumiko Mizusawa discutiu os problemas do sistema de Educação Superior do Japão (sim, o sistema tem muitos problemas!) e apresentou a metodologia que ela implementou para o ensino da Língua Inglesa na universidade. Os alunos de todos os cursos são obrigados a cursar as disciplinas de Língua Inglesa e o resultado não é satisfatório. Ela utilizou os roteiros dos filmes em inglês e japonês e trabalhou o vocabulário e a gramática com esse material. A escolha dos filmes foi muito importante para o trabalho porque não eram filmes conhecidos como blockbusters, eram filmes que retratavam aspectos importantes da cultura dos Estados Unidos, Inglaterra e Austrália. Curiosidade: apenas 58% dos alunos que terminam o Ensino Médio ingressam nas universidades. Considerando os indicadores educacionais japoneses, eu imaginava que o número fosse muito maior!

III – Steven Universe e Outros. O professor Nuno Fragata atua na Educação Básica do sistema educacional público português e trouxe uma excelente discussão sobre a animação Steven Universe e suas relações com a aparência, estética, novos arranjos familiares e a questão LGBT. A animação quebra os estereótipos e trabalha com questões importantes relacionadas com o amor, compaixão, fraqueza, pertencimento, entre outros assuntos que não costumam ser abordados em desenhos infantis.

Além das apresentações de trabalhos e palestras, conhecemos uma experiência bem interessante chamada Animation-4All, de Mafalda Sofia Almeida. Ela desenvolve um projeto de investigação multidisciplinar com o cinema de animação como instrumento inclusivo e pedagógico. O material que estava disponível na mostra sintetizava a beleza do projeto muito bem definido pela autora como “um projeto cheio de amor, pensado, estruturado e adaptado onde tudo se torna válido, onde todos contribuem, onde todos têm talento, onde todos têm um papel importante”… A afirmação refere-se ao projeto Animation-4All, mas poderia servir perfeitamente para o evento realizado em Avanca!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

DidaTics: Design em Tecnologia Educacional

Amanda Costa foi minha orientanda no mestrado e é o tipo de aluna que caminha sozinha e consegue o equilíbrio perfeito entre criatividade, autonomia e responsabilidade. Ela desenvolveu um site maravilhoso há alguns anos chamado Paleoclube e agora ela apresenta mais um produto interessante: um canal de vídeos com animações que abordam temas interessantes relacionados com as teorias de aprendizagem, design em tecnologia educacional e neurociência cognitiva. Além do conteúdo e da beleza visual, o que eu mais gosto na iniciativa de Amanda é a proposta de compartilhar conhecimento e construir um canal de aprendizagem em rede. Vale a pena conhecer e compartilhar!

terça-feira, 19 de julho de 2016

Revista Texto Livre: Linguagem e Tecnologia - Volume 9, 2016

Acaba de ser publicado o volume 9, número 1 de 2016, da revista Texto Livre: Linguagem e Tecnologia, da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. Os artigos estão agrupados em duas áreas: Linguística e Tecnologia e Educação e Tecnologia. Os temas abordados englobam elementos atuais no cenário das redes e problematizam conceitos importantes que necessitam de aprofundamento urgente como, por exemplo, o conceito de letramento digital, os movimentos nas redes sociais, uso da EAD em espaços não formais de formação, entre outros. As discussões dos artigos estão muito interessantes e vale a pena conhecer a revista. Quem tiver interesse em submeter artigo para os próximos números da revista, é só clicar neste link. A seguir, o sumário do volume 9 da revista Texto Livre: Linguagem e Tecnologia:

Linguística e Tecnologia

Classification des sujets abordés dans dix manuels de rédaction web: vers un outil de référence pour l’enseignement universitaire (Marie-Josée Goulet, Christine Fournier)

Verbo-visualidade em tira quadrinizada da Mafalda: cortesia/descortesia linguística e humor nas interlocuções da narrativa figurativa (Carlos Augusto Baptista Andrade, Diogo Souza Cardoso)

Humor, ideologia e discurso: a circulação dos estereótipos do caipira em piadas na internet (Emanuel Angelo Nascimento)

O orador humorístico: a construção do ethos na comédia (Maria Flávia Figueiredo, Alan Ribeiro Radi)

Vem pra rua: um estudo sobre ressignificação (Suzana Jordão Costa)

Softwares de transcrição como auxílio para as pesquisas com enfoque multimodal no processo de aquisição da linguagem (Jéssica Tayrine Gomes de Melo Bezerra, Paula Michely Soares da Silva, Marianne Carvalho Bezerra Cavalcante)

Educação e Tecnologia

O conceito de letramento digital e suas implicações pedagógicas (Mariana Vidotti de Rezende)

Letramento literário na EaD: rodas de conversa em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa (Giselle Larizzatti Agazzi, Maria Teresa Ginde de Oliveira, Débora Reffi de Souza)

Crítica, adaptação e organização na construção colaborativa de documentos nas nuvens (Raquel Franco Santos, Ivan Luiz Marques Ricarte)

Tecnologia e políticas educacionais: desafios e contribuições das tecnologia da informação e comunicação em escolas estaduais da cidade de Itaperuna (Valquiria Oscar Teixeira)

Extensão para a educação: a experiência de capacitação a distância do Espaço do Produtor (João Batista Mota, Silvane Guimarães Silva Gomes, Estela da Silva Leonardo)

Contextualizando a educação continuada de professores de línguas estrangeiras no Brasil (Vanderlice dos Santos Andrade Sól)

Como membro da comissão editorial da revista, agradeço o interesse no nosso trabalho e peço ajuda na divulgação. Afinal, compartilhar conhecimento é uma forma de mudar o mundo. Obrigada!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Seleção para mestrado e doutorado no Edumatec - UFPE

As inscrições para a seleção 2017 para ingresso no mestrado e doutorado do Programa de Pós-graduação em Educação Matemática e Tecnológica (Edumatec) estão abertas até o dia 29 de agosto de 2016. São 30 vagas para o mestrado e 16 vagas para o doutorado. A linha de pesquisa Educação Tecnológica acrescentou alguns elementos nos seus temas de pesquisa em relação aos anos anteriores e a descrição atual das temáticas é a seguinte:

Cultura digital: identidades, conflitos e inovações na perspectiva dos Estudos Culturais; Inclusão digital e inclusão social de professores e alunos; PLE's; Redes sociais e colaboração em rede; narrativas digitais; storytelling transmídia; etnografias audiovisuais participativas; novos métodos de pesquisa online; mídias e mediações interculturais.

Ambientes virtuais de aprendizagem e Educação a Distância; Formação de professores para uso de tecnologias em educação; Formação e práticas docentes em educação online; Inovação pedagógica e práticas inovadoras na educação superior; Aprendizagem móvel; Modelos, práticas e gestão da educação a distância; Tecnologias Digitais e Aprendizagem; Práticas pedagógicas com uso de tecnologias digitais; Gestão de tecnologias na educação.

Avaliação/Concepção e Desenvolvimento de artefatos computacionais ou ambientes colaborativos (CSCL) para o ensino da matemática, presencial ou a distância, com suporte à aprendizagem colaborativa, segundo princípios teórico metodológicos da Engenharia de Software Educativos e da Didática da Matemática; Atividade docente na área de matemática na educação online; Avaliação de softwares e aplicativos para a matemática; Situações didáticas para o ensino da matemática com o uso de softwares educacionais.

O edital completo está disponível no boletim informativo oficial da Universidade Federal de Pernambuco.

domingo, 17 de abril de 2016

As narrativas digitais

Eu estou bastante interessada em pesquisar as narrativas digitais e as possibilidades de pesquisa no campo da Educação. Ainda existe muita confusão conceitual e metodológica com os conceitos de narrativas digitais, transmídia e storytelling, mas só vamos chegar em algum lugar se começarmos a pesquisar e escrever sobre o tema. Os conceitos teóricos são espinhosos, mas também tem o lado agradável, como escrever um artigo sobre a transmídia em Star Wars, por exemplo. Acho que nunca fui tão feliz na construção de um texto acadêmico. Uma das coisas mais interessantes no tema, é a necessidade de se construir pontes entre os diversos tipos de narrativas para compreender as especificidades e a importância do digital neste contexto. E por falar em pontes e narrativas, eu vou comentar uma situação que me incomodou bastante ao assistir "Ponte de Espiões" (Fox Filmes, 2015). A sinopse do filme é a seguinte: "Em plena Guerra Fria, o advogado especializado em seguros James Donovan (Tom Hanks) aceita uma tarefa muito diferente do seu trabalho habitual: defender Rudolf Abel (Mark Rylance), um espião soviético capturado pelos americanos. Mesmo sem ter experiência nesta área legal, Donovan torna-se uma peça central das negociações entre os Estados Unidos e a União Soviética ao ser enviado a Berlim para negociar a troca de Abel por um prisioneiro americano, capturado pelos inimigos". O filme é esteticamente impecável, tem interpretações tocantes (eu torci por Bale no Oscar de melhor ator coadjuvante, mas mudei de ideia depois que me emocionei com Mark Rylance), a reconstituição de época é muito bem realizada, mas fiquei extremamente incomodada com as lacunas da história durante todo o filme. A história não era convincente, por que um advogado obscuro seria escolhido para defender um espião russo em plena Guerra Fria? E mais, por que esse mesmo advogado iria negociar um acordo na Alemanha Oriental? Não havia um só agente ou representante do governo que pudesse fazer isso? Por que os agentes do governo obedeceriam e respeitariam um advogado de seguros, mon Dieu?!? Difícil de engolir... Fui para a internet pesquisar, li todas as críticas nacionais e nenhuma delas citava a fragilidade do roteiro. É claro que existe a liberdade criativa e a ficção não precisa fazer sentido, mas quando você apresenta um filme como "baseado em uma história real", é bom que a racionalidade dos fatos predomine. Ou não? Sem encontrar nada de útil, fui buscar nos sites internacionais a história de vida do Sr. James Brett Donovan e para minha surpresa, ele provavelmente foi um espião, e se não foi um espião no sentido conceitual da palavra, ele foi formado em uma escola de espiões durante a II Guerra Mundial e foi um dos idealizadores da organização que originou a CIA. Caplotft! Donavam era na verdade um ex-fuzileiro que participou do julgamento de Nuremberg como assessor do juiz da suprema corte. Depois, ele voltou para Nova York e foi trabalhar como advogado de seguros até ser escolhido para defender o espião russo. O filme é dirigido por Steven Spielberg e não ficou muito claro para mim porque o diretor escolheu esconder uma informação tão importante dos espectadores. Sem dúvida, a ideia de um ex-espião atuando como advogado no caso me parece muito mais crível e emocionante do que um pacato advogado metido no meio de uma confusão. Voltando ao que interessa, apesar de ser apenas uma questão do campo do entretenimento, é interessante pensar como as narrativas precisam ser bem construídas para quem ouve, lê ou assiste. A minha contribuição para a Educação é pensar que as narrativas dos professores e dos alunos merecem um protagonismo mais efetivo do que temos feito até hoje. Vamos ao campo de pesquisa sempre com os nossos pressupostos já definidos e queremos que os nossos sujeitos apenas confirmem o que já pensamos. Somos como o Spielberg do filme, sabemos a história que queremos contar e queremos convencer os outros de que ela é real. Com isso, nos distanciamos da verdade, dos problemas e das possíveis soluções. Pretendo descobrir se é possível caminhar por outras trilhas. Veremos...

Link para a matéria completa sobre a história real de James Donavan, na revista da Fordham University.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Seleção para professor substituto na EaD

A UFPE lançou ontem o edital para a seleção de professores substitutos, fato comum na universidade em todo início de semestre. A grande novidade está na destinação das vagas: os professores selecionados trabalharão na Educação a Distância. São 13 vagas distribuídas nas áreas de Letras, Ciências Contábeis, Geografia e Licenciatura em Matemática. Quem estiver interessado em concorrer, é só clicar no edital para saber mais detalhes. A seleção de professores substitutos é um passo importantíssimo para a institucionalização da EaD que não pode mais depender de uma estrutura separada da universidade para sobreviver. É também o reconhecimento de que o professor que trabalha na EaD deve ter as mesmas condições de trabalho e remuneração dos professores que atuam no presencial. A EaD deveria ser uma opção para o aluno e não um instrumento compensatório ou paliativo para a formação superior. Consolidar os mesmos critérios de seleção, qualificação e remuneração para os professores que atuam na EaD, é essencial para uma mudança no papel da formação realizada a distância. Eu já escrevi algumas vezes aqui no blog sobre a necessidade de mudanças no modelo de universidade a distância que foi criado no país, quem quiser ler, os links estão logo a seguir. Boa sorte para quem vai fazer a seleção e vamos continuar lutando por recursos, inovação e qualidade na EaD!

A Institucionalização da EAD nas Universidades

Para não dizer que não falei das flores... (ou sobre o fim da UAB)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Conferência Internacional de Cinema de Viana

A CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE CINEMA DE VIANA é um espaço de reflexão e de partilha de experiências visando a construção de uma comunidade internacional de interesses e de divulgação de projetos relacionados com duas temáticas centrais do cinema – Cinema e escola e Cinema, arte, ciência e cultura. Realiza-se no âmbito da programação dos XVI Encontros de Cinema de Viana. Inscrição para envio de resumos: até 31 de janeiro 2016.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Grupo de pesquisa Mídias Digitais e Mediações Interculturais

As parcerias realizadas durante o pós-doutorado continuam dando bons frutos e possibilitando desdobramentos interessantes com a convergência de pesquisas, orientações, eventos e cursos. Para dar conta das inquietações acadêmicas provocadas por novos caminhos abertos com as parcerias internacionais, criamos uma nova linha de pesquisa chamada "Mídias Digitais e Mediações Interculturais". A ideia do novo grupo de pesquisa surgiu durante a realização do ICCI - Imagens da Cultura Cultura das Imagens, realizado em novembro do ano passado, no Centro de Educação da UFPE. A disciplina "Tópicos em Tecnologias Educacionais: análise de redes" ofertada no segundo semestre de 2015, utilizou o referencial teórico da antropologia visual e etnografia digital, consolidando novas trilhas para a investigação no campo das tecnologias digitais e Educação. Para possibilitar a convergência dos temas de interesse dos pesquisadores envolvidos, foram criadas as seguintes linhas de pesquisa:

1 Mediações culturais, cinema e sociedade

2 Metodologias audiovisuais de pesquisa participativa

3 Mídias digitais na Educação

4 Mídias digitais, território e dinâmica urbana

O primeiro encontro com os participantes será no dia 14/12 (segunda-feira, às 13h), na sala 109A do Centro de Educação (UFPE). O grupo funcionará com atividades online e encontros presenciais bimestrais.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Escolas Muradas

O Comitê Gestor da Internet do Brasil publicou os resultados da "Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nas escolas brasileiras" referente ao ano de 2014. Ainda não tive tempo para me debruçar com atenção sobre os resultados, mas já observei que alguns elementos presentes no texto confirmam as pesquisas que estamos realizando na UFPE. No material disponibilizado na rede, o professor Nelson Pretto (UFBA) escreveu um artigo muito interessante intitulado "Escolas Muradas", no qual faz algumas críticas bastante pertinentes sobre as políticas públicas para o uso das tecnologias nas escolas. O artigo é sobre as tecnologias digitais, mas o título e algumas questões sobre as políticas para a Educação me levaram a pensar no movimento "Ocupa Escola" e no quanto ainda precisamos avançar. Penso que é muito bom ter acesso ao resultado de pesquisas que não sejam realizados por grandes empresas de comunicação ou organizações neoliberais que possuem uma concepção bastante comprometida sobre os objetivos e motivações para a inserção das tecnologias digitais no contexto das escolas. A pesquisa do CGI.br (com licença Creative Commons Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional) é uma excelente referência para todos que pesquisam educação e tecnologias no Brasil.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Pensando fora da caixa

Pesquisar um determinado tema ao longo de muitos anos pode resultar em descobertas fantásticas, insights poderosos ou becos sem saída que obrigam o pesquisador a realizar uma pausa para avaliar todos os percursos desenvolvidos e buscar novos caminhos para descobrir o “x” da questão. Claro que os processos não são iguais para todos, mas é preciso estar aberto ao universo infinito de possibilidades que todas as pesquisas oferecem. Sempre digo aos meus orientandos que toda pesquisa é constituída de aspectos positivos e negativos, ambos são fundamentais para o processo de amadurecimento acadêmico e superação dos obstáculos. O problema é que ao concluir uma dissertação ou tese, as pessoas só relatam o que foi bom durante a pesquisa e ignoram os equívocos, desvios, dificuldades etc. A questão é que muitas pessoas podem ter a mesma dificuldade que o outro e o relato de como um determinado obstáculo foi superado, pode poupar meses de trabalho de um colega. As pesquisas sobre o uso de tecnologias na Educação, incluindo a Educação a Distância, sempre desembocam em elementos que, embora importantes, não me parecem suficientes para explicar o quadro que observamos hoje. Concluir que a apropriação tecnológica nas escolas não acontece de forma plena porque falta de estrutura, os professores são resistentes, a formação é inadequada etc., é gastar tempo, esforços e dinheiro com o que pode ser verificado em visitas simples nas escolas ou nos ambientes virtuais. Entretanto, se a resposta não é tão óbvia, porque não encontramos outros elementos que expliquem a realidade encontrada? Se não encontramos, estamos procurando no lugar correto? O fato é que as chamadas teorias tecnológicas na Educação não são tão diversificadas assim e nem foram aplicadas aos diferentes contextos educacionais existentes. Curiosamente, as pesquisas mais amplas são desenvolvidas por empresas ou organizações, como, por exemplo, Fundação Telefônica, Unesco etc. Venho me sentindo desconfortável com as minhas opções teóricas nos últimos anos e resolvi buscar novas possibilidades em outras áreas do conhecimento novos caminhos para trabalhar com o meu campo de pesquisa. O primeiro movimento foi realizar um projeto de pesquisa com foco nas boas práticas dos professores na rede e com o uso de tecnologias na sala de aula. O segundo movimento foi pesquisar realidades em escolas públicas fora do país, onde a tecnologia digital já se tornou invisível no fazer pedagógica. A terceira (ainda em andamento) é reunir os esforços com grupos de pesquisa de outras áreas para inserir outras dimensões no percurso investigativo. Sacrilégio? Blasfêmia? Mistureba? Talvez, mas vamos ver o que encontramos, só precisamos aguardar um pouco...

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Para não dizer que não falei das flores... (ou sobre o fim da UAB)

Vou registrar um comentário breve sobre o fim da UAB apenas porque a EaD é um dos temas deste blog, mas morro de preguiça de escrever sobre o óbvio (ou sobre o que parece óbvio para mim). Eu escrevi sobre a necessidade de institucionalização da EaD em maio de 2010 (o post pode ser acessado aqui). Naquela época, fiz uma crítica ao modelo adotado no país como política pública de Educação a Distância porque é um modelo que engessa e, pior, não determina a qualidade dos cursos. A crítica está presente na minha tese e nos artigos publicados sobre o tema desde 2009, ou seja: nenhuma novidade no país da memória curta! A notícia do fim da UAB deixou as universidades em polvorosa, várias instituições suspenderam as novas entradas de alunos e foi iniciada uma discussão sobre os critérios de credenciamento, qualidade, funcionamento e recursos. É curioso como questões tão essenciais ao funcionamento da EaD sejam retomadas apenas no momento em que o financiamento está em risco, e que instituições que sempre se posicionaram de forma contundente contra a EaD, agora se posicionem a favor da modalidade nas IES públicas. Também me causa espanto ver pessoas que estiveram na gestão do modelo UAB durante anos, se posicionarem agora "contra tudo que esta aí". Oi? Coerência, minha gente... A UAB acabou? Já acabou tarde, a política de Educação a Distância no Brasil precisava de mudança há muito tempo! Quero deixar claro que sou totalmente a favor da luta pela manutenção do financiamento para a EaD, preferencialmente em outro modelo de repasse de verbas. A EaD precisa deixar de ser um programa temporário, com mecanismos precarizados de pagamento de professores e disponibilidade de recursos. Se o processo de institucionalização da EaD nas instituições públicas estivesse consolidado, a modalidade não estaria em risco. Eu gostaria de dizer que estou otimista e que espero que sejam injetadas novas ideias, novas propostas, novas pessoas e novas concepções de Educação a Distância nas instituições públicas. Infelizmente, não parece que isso vai acontecer, considerando o teor das vozes que estão clamando por "mudanças". De qualquer forma, o pontapé inicial foi dado. Quando não é possível mudar as estruturas enraizadas e viciadas em determinados setores, a extinção é um santo remédio. Se vamos conseguir reconfigurar as políticas de EaD em outras perspectivas, não sei dizer. Espero, sinceramente, que sim.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Carta Aberta em Defesa do PNAIC

O Fórum das universidades públicas participantes do PACTO NACIONAL PELA ALFABETIZAÇÃO NA IDADE CERTA vem, por meio desta, defender o PNAIC e prestar esclarecimentos acerca de seu funcionamento e avaliação, em resposta a críticas que vêm sendo externadas por alguns setores da sociedade.

As tentativas de desqualificação do trabalho desenvolvido no âmbito do PNAIC são inconsistentes e não há, de fato, um debate aprofundado acerca de quais seriam os reais motivos para os ataques recentes empreendidos não por professores, mas por setores da mídia e alguns setores da sociedade. As informações passadas são equivocadas, evidenciando falta de conhecimento acerca da proposta pedagógica e do funcionamento desta iniciativa de formação de professores alfabetizadores. Ao criticar o PNAIC, imputando a ele a responsabilidade de resolver em dois anos a dívida histórica que este país tem com o direito à alfabetização, os opositores manifestam opiniões pouco embasadas nos fatos.

A formação continuada dos professores alfabetizadores no âmbito do PNAIC foi iniciada em 2013, com continuidade em 2014 e 2015. Foram atendidos, em cada ano, mais de 300.000 professores. Nunca houve, na história da educação brasileira, uma ação com tamanha abrangência e tão fortemente voltada para o fazer pedagógico do professor. Desse modo, podemos apontar um primeiro aspecto positivo: a garantia do direito à formação continuada a todos os professores alfabetizadores, tendo como referência a realidade da sala de aula.

Tal abrangência só foi possível porque o PNAIC inclui a qualificação de profissionais efetivos das secretarias de educação municipais e estaduais, que, assumindo as funções de orientadores de estudo e coordenadores locais, são responsáveis pela formação dos professores dos três primeiros anos do Ensino Fundamental, nos próprios municípios. Desse modo, há um regime de colaboração entre os entes federados (Ministério da Educação, Secretarias Municipais e Estaduais de Educação) e as universidades públicas envolvidas, de modo que, em cada estado e município, os encontros de formação são planejados considerando-se as peculiaridades e necessidades locais. As ações de formação são concebidas e executadas por todos e não apenas pelas equipes das universidades. Desse modo, todos são responsáveis pelas conquistas realizadas. Nisso reside um segundo aspecto positivo: há, concretamente, um Pacto entre entes federados, que vêm empreendendo esforços para a melhoria da qualidade da educação.

Um terceiro aspecto a ser considerado é que não há obrigatoriedade de utilização de um material didático específico. Na formação, são realizadas reflexões sobre diferentes estratégias de ensino e de materiais, de modo a contemplar variados modos de ensinar e de aprender. As secretarias de educação podem adquirir materiais como jogos, livros, revistas, jornais. O MEC também tem colaborado, disponibilizando o material de referência da formação e distribuindo livros didáticos, livros de literatura, jogos, dentre outros. Os professores podem produzir e selecionar materiais diversos.

Assim, programas de aquisição de livros (literatura e didático) que garantem o acesso dos estudantes a material de qualidade são discutidos no interior da formação, as políticas são mais bem compreendidas e isso ajuda a potencializar o seu uso. Não há, no âmbito do PNAIC, interesses comerciais que obriguem secretarias de educação a comprar nenhum pacote fechado de materiais e nem prescrição aos professores do que precisam realizar em sala de aula. Os professores são formados para ganhar autonomia e terem consciência do que estão fazendo. Espera-se, no PNAIC, que os professores ampliem conhecimentos e possam cada vez mais realizar um ensino consistente, refletindo sobre suas práticas para, a partir delas, construir saberes, num processo ininterrupto.

Um quarto aspecto a ser destacado é que o PNAIC apresenta objetivos ligados aos direitos de aprendizagem que têm ajudado os professores a definir metas e as redes a desenvolverem suas propostas curriculares com base em um repertório comum.

As universidades responsáveis pela formação dos orientadores de estudo atuam juntas, em seminários periódicos, para refletir sobre temas ligados ao ensino nesta etapa de escolaridade e produzir os materiais de referência da formação dos professores. Desse modo, há um trabalho conjunto de produção de um material básico, ao qual são agregados novos materiais, em cada estado, para contemplar temáticas e experiências locais. Os autores dos materiais são pesquisadores de diferentes instituições, com experiência em formação docente, além de professores da Educação Básica, que socializam experiências de sala de aula. Desse modo, há articulação entre ensino, pesquisa e extensão nas instituições públicas de ensino superior participantes.

Nos dois anos de execução do PNAIC foram realizadas avaliações permanentes. Os professores respondem mensalmente um questionário, julgando a formação recebida quanto a diferentes critérios: distribuição do tempo, volume de informações apresentadas, relevância dos conteúdos abordados, aplicabilidade para a prática profissional. Com pequenas variações entre os estados, os resultados dessas avaliações feitas pelos docentes mostram que há grande aceitação do PNAIC. Em todos os critérios, as médias alcançadas têm sido em torno de 9,0.

As universidades também utilizam instrumentos de avaliação específicos, nos quais têm sido apontados alguns aspectos muito positivos, como a qualidade dos materiais de formação utilizados, a articulação entre a teoria e a prática, a diversidade de temáticas tratadas, considerando-se a complexidade do trabalho do professor alfabetizador, além do respeito aos professores como profissionais.

Algumas universidades também têm desenvolvido pesquisas no âmbito do PNAIC, identificando mudanças qualitativas nas práticas dos docentes, que condizem com seus depoimentos e relatos que têm sido narrados em seminários anuais de socialização de experiências.

Não há, no entanto, ainda, uma avaliação relativa aos impactos nas aprendizagens das crianças. A Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) é a primeira experiência brasileira de avaliação das crianças concluintes do ciclo de alfabetização. Ela teve início em 2013, ano em que o PNAIC começou. Foi repetida em 2014. Portanto, o tempo ainda é muito curto para se ter alguma informação sobre avanços nesta área e, é necessário se registrar, a alfabetização é um direito que tem sido negado na nossa história.

Segundo o IBGE, em 1920, 70% dos adultos com 15 anos ou mais eram analfabetos. Em 2009, 8,9% da população com 10 anos ou mais era analfabeta. Vê-se, portanto, que houve uma grande redução na quantidade de analfabetos entre adultos, embora o país ainda não esteja garantindo esse direito a todos os cidadãos. É necessário maior investimento para que todos os adultos possam ter acesso a este conhecimento.

É preciso ressaltar que também houve mudança e ampliação no que se considera alfabetização, hoje pensada como domínio do sistema de escrita para seu efetivo uso em leitura e produção de textos. Assim, nossas expectativas sobre a aprendizagem de crianças de 08 anos mudaram, embora algumas propostas de formação de professores e materiais didáticos oferecidos às redes públicas continuem a adotar concepções que restringem o conceito de alfabetização à aprendizagem de um suposto código.

Até 2012 não se tinha dados sobre a situação de crianças aos 8 anos de idade, pois não havia avaliações como a ANA, uma avaliação em larga escala que informa sobre os níveis dos estudantes por escola, município ou estado. Portanto, não podemos indicar claramente quais avanços podem ter ocorrido nos últimos anos. A apresentação dos resultados da ANA é feita agrupando-se as notas por intervalos. No caso da leitura, a ANA trabalha com metodologia de múltipla escolha e com habilidades que podem ser medidas com essa metodologia, deixando de fora outras habilidades também importantes, mas que não podem ser avaliadas por meio de questões de múltipla escolha. São propostos quatro níveis de leitura. O primeiro nível é composto tanto por estudantes que não conseguem ler palavras, quanto pelos que conseguem ler palavras, mas não conseguem ler textos.

A junção desses dois perfis em um só nível dificulta o debate sobre o diagnóstico feito, pois tradicionalmente as crianças que sabem ler e escrever palavras são consideradas alfabetizadas. Assim, em uma perspectiva tradicional no nível 1 estariam as crianças não alfabetizadas e as alfabetizadas. Muitas propostas de alfabetização, sobretudo centradas na memorização de letras, fonemas e sílabas apresentam tal concepção. No entanto, no PNAIC, é utilizada uma concepção de alfabetização que só considera a criança alfabetizada quando ela é capaz de ler textos.

Desse modo, no PNAIC teríamos como nível mínimo esperado o nível 2, em que as crianças são capazes de ler textos curtos, identificando informações e reconhecendo as finalidades dos textos. Assim, 75,87% poderiam ser consideradas alfabetizadas em 2013 e 77,79% em 2014. Assim, em apenas um ano, o aumento foi de 1,92%. Tal diferença pode, a princípio, parecer muito pequena, mas tratando-se de avaliações em larga escala, sabe-se que as mudanças não se dão, via de regra, de forma rápida.

Os níveis 3 e 4 são os das crianças que já têm um domínio maior na leitura, lendo textos mais longos e complexos. É o que no PNAIC temos insistido em colocar como metas a serem atingidas em médio e longo prazo. Em 2013, 42,77% das crianças atingiram tal nível e em 2014, 43,83%.

Em produção de textos, os resultados são agrupados em cinco níveis. No primeiro, estão as crianças que não escrevem palavras. Essas são as consideradas não alfabetizadas por autores de diferentes abordagens teóricas.

No nível 2, as crianças escrevem palavras, mas não conseguem produzir textos. Em uma abordagem tradicional, seriam consideradas alfabetizadas. Para as equipes executoras do PNAIC, tais crianças não podem ser consideradas alfabetizadas, pois se espera que elas sejam capazes de escrever textos.

É a partir do nível 3 que estão as crianças que escrevem textos. Em 2013, não houve avaliação das capacidades de escrita de textos. Em 2014, 73.32% estão nesses níveis. Não há como dizer se houve, nos últimos anos, algum progresso, pois, como foi dito, nunca houve avaliação desse tipo no país.

Nos encontros de formação do PNAIC, as discussões conduzem os professores a pensarem que é importante melhorarmos cada vez mais as capacidades de escrita das crianças. No entanto, é importante considerar que não se espera de uma criança do ciclo de alfabetização que ela domine a norma ortográfica, pois essa aprendizagem ocorre durante todo o Ensino Fundamental. O mais importante é que ela produza textos com sentido, com clareza e que atendam a diferentes finalidades na sociedade, para que não tenhamos, adiante, os ditos analfabetos funcionais, tão presentes ainda entre adultos na nossa sociedade. Esses analfabetos funcionais seriam aqueles que conseguem ler e escrever palavras, mas não são capazes de compreender e produzir textos mais complexos.

Abordagens metodológicas centradas apenas no ensino de letras, fonemas, sílabas e palavras não auxiliam os estudantes a chegarem aos níveis mais elevados de escrita. Por isso, no PNAIC, busca-se aprofundamento de estudos e planejamento de situações de ensino em que tanto seja garantida a aprendizagem do sistema de escrita e ortografia, quanto o desenvolvimento de capacidades de leitura e produção de textos.

Os dados da ANA, portanto, não podem ainda ser usados para uma avaliação de avanços, ou não, no processo educativo, embora sinalize que ainda temos muito que fazer para garantir uma alfabetização plena a todas as crianças. Estamos com mais de 20% das crianças brasileiras terminando o ciclo de alfabetização sem conseguir ler e escrever textos. É preciso energia concentrada para que os direitos dessas crianças sejam garantidos e que as demais crianças alcancem níveis cada vez mais ampliados de domínio da leitura e da escrita.

As reflexões acima sobre os resultados da ANA ajudam a entender que não é possível, neste momento, fazer relação direta entre o que foi encontrado e o que vem sendo desenvolvido no âmbito do PNAIC. Sem dúvidas, ainda há muito a ser conquistado para que se garanta o direito a uma alfabetização plena de todos os brasileiros. O PNAIC, com certeza, tem muito a contribuir.

Qualquer política de formação de professores precisa de tempo para consolidar práticas e aprofundar conhecimentos. Os problemas educacionais brasileiros são resultados de uma longa história de descaso. Não se pode atribuir possíveis resultados negativos a políticas recentes. Qualquer interrupção na rede de trabalho que se formou pode colocar em risco o potencial transformador do PNAIC, que se estabeleceu como uma experiência bem-sucedida de regime de colaboração entre os entes federados e as universidades públicas. O PNAIC precisa ser concebido como uma Política de Estado, para que não fique vulnerável a qualquer instabilidade do País. Deve ser encarado como uma conquista brasileira e como um esforço coletivo que está acima de interesses particulares.

É preciso também enfrentar outros problemas que têm impedido, ou dificultado, a realização da tarefa que temos que realizar. Ações que garantam a melhoria da formação inicial de professores e sua oferta pública, a ampliação da jornada escolar das crianças, a melhoria salarial dos profissionais da educação, a garantia de melhores condições de trabalho, com tempo suficiente para que os docentes possam planejar a ação didática, elaborar materiais, desenvolver projetos especiais para as crianças que estejam precisando, não podem ser desconsiderados no debate sobre os resultados das avaliações.

Universidade de Brasília Universidade do Estado da Bahia- Universidade do Estado de Minas Gerais- Universidade Estadual de Campinas- Universidade Estadual de Maringá- Universidade Estadual de Montes Claros- Universidade Estadual de Ponta Grossa- Universidade Federal da Paraíba- Universidade Federal de Alagoas- Universidade Federal de Goiás- Universidade Federal de Juiz de Fora- Universidade Federal de Mato Grosso- Universidade Federal de Mato Grosso do Sul- Universidade Federal de Minas Gerais- Universidade Federal de Ouro Preto- Universidade Federal de Pelotas- Universidade Federal de Pernambuco- Universidade Federal de Rondônia- Universidade Federal de Roraima- Universidade Federal de Santa Catarina- Universidade Federal de Santa Maria- Universidade Federal de São Carlos- Universidade Federal de Sergipe- Universidade Federal de Tocantins- Universidade Federal de Uberlândia- Universidade Federal do Acre- Universidade Federal do Amapá- Universidade Federal do Espírito Santo- Universidade Federal do Maranhão- Universidade Federal do Oeste do Pará- Universidade Federal do Pará- Universidade Federal do Paraná- Universidade Federal do Piauí- Universidade Federal do Rio de Janeiro- Universidade Federal do Rio Grande do Norte- Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Artigo publicado na Revista Diálogo Educacional

Os resultados da pesquisa financiada pelo edital Universal do CNPq começam a aparecer: publicamos um artigo na Revista Diálogo Educacional (PUC-PR), intitulado "PRÁTICAS E PERCURSOS DOS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA COM AÇÕES DE AUTORIA E COLABORAÇÃO NAS REDES SOCIAIS". Além da excelente qualificação da revista, o artigo escrito em parceria com a querida Thelma Panerai Alves está muito bem acompanhado: Eliane Schlemmer, Vani Kenski, Edméa Santos, Marilda Aparecida Behrens e outros autores brilhantes apresentam os resultados de suas pesquisas. O tema da revista é Formação de Professores e Redes Sociais e durante o processo de ajuste do artigo tive contato com a professora Elizete Matos, responsável pela editoração deste número da revista. Depois da publicação, ao ler o prefácio da revista, descobri que a professora Elizete faleceu aos 56 anos. É impressionante como as nossas conexões na rede nos proporcionam momentos felizes e novas amizades, mas também nos trazem a tristeza inerente ao ciclo da vida dos nossos conhecidos virtuais. Reproduzo aqui o trecho do prefácio escrito pela professora Patrícia Lupion Torres que traduziu toda a tristeza com a perda da colega de trabalho, mantendo as lembranças positivas da Professora Elizete no seu belo texto.

"Começo esse editorial prestando minhas homenagens póstumas à professora Elizete Lúcia Moreira Matos, colega do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUCPR, que nos deixou precocemente aos 56 anos. Coube a Elizete e a mim a organização deste número da revista Diálogo Educacional, mas infelizmente ela não poderá ver o resultado final de nosso trabalho. Neste trabalho de organização, assim como em tudo que fazia, Elizete colocou toda sua energia. E quem a conheceu sabe que não era pouca a energia que dela emanava! Ela foi intensa em tudo que fez e viveu, talvez porque inconscientemente soubesse que sua passagem por aqui seria breve. Assim, essa revista é resultado de nosso trabalho, sempre muito integrado e colaborativo. Terminar este trabalho é a última homenagem que faço a ela em nome do nosso Programa de Pós-Graduação. Elizete se foi dessa existência terrena, mas deixou para cada um de nós — alunos, professores e funcionários da PUCPR — uma lembrança e um legado positivo". Prefácio da Revista Diálogo Educacional, Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 15, n. 45, p. 373-376, maio/ago. 2015.

domingo, 5 de julho de 2015

Chamada de artigos da Revista Texto Livre: Linguagens e Tecnologia

Faço parte do comissão editorial da Revista Texto Livre: Linguagem e Tecnologia e informo que está aberta a chamada para artigos que serão publicados no segundo semestre de 2015. A Texto Livre é uma revista interdisciplinar dedicada a temas relacionados ao software livre, estudos da linguagem, tecnologia da informação e Educação. A revista é um periódico semestral mantido pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais desde 2008. São temas correlatos de interesse desse periódico: intertextualidade, usabilidade, uso de computador em sala de aula, cultura livre, inclusão digital, letramento digital, divulgação em software livre e outros temas da relação linguagem e tecnologia. A revista está classificada como B3 na área interdisciplinar e possui as seguintes indexações:

DOAJ (Directory of Open Access Journals) [Suécia]; SEER [Brasil]; Latindex [México]; Periódicos Capes [Brasil]; Diadorim – Diretório de Políticas de Acesso Aberto das Revistas Científicas Brasileiras [Brasil]; Sumários.org - Sumários de Revistas Brasileiras [Brasil]; LivRe [Brasil]; Revistas científicas electrónicas (UNAM) [México]; Journal4free [Portugal]; e-Revist@s [Espanha]; MIAR (Matriz de Información para el Análisis de Revistas) [Espanha]

Comissão Editorial da Revista Texto Livre: Linguagem e Tecnologia:

Ana Cristina Fricke Matte, SEMIOTEC/FALE/Grupo Texto Livre, Universidade Federal de Minas Gerais

Daniervelin Renata Marques Pereira, Universidade Federal do Triângulo Mineiro

Fatima Conti, Universidade Federal do Pará

Paulo Francisco Slomp, Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Adelma Araujo, Universidade Federal de Minas Gerais

Ana Beatriz Carvalho, Universidade Federal de Pernambuco

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Fora de Campo - Cinema e Migrações: Curso de Verão

Fora de Campo é a designação do Curso de Verão que vai ocorrer no âmbito de FILMES DO HOMEM – Melgaço International Documentary Film Festival. Será um encontro de reflexão e debate multidisciplinar – Ciências Sociais, Artes e Ciências da Comunicação, em torno do tema Cinema e Migrações, e resulta da parceria da Câmara Municipal de Melgaço com a AO NORTE - Associação de Produção e Animação Audiovisual em colaboração com Universidades e Grupos de Investigação/Pesquisa de Portugal, Galiza e Brasil.
São objetivos do curso a aproximação das abordagens artísticas, tecnológicas e das ciências sociais e humanas do cinema; a colaboração das Redes e Grupos de Investigação/Pesquisa participantes no Festival; o envolvimento da população e comunidade local nas atividades culturais e artísticas realizadas no Curso de Verão e no Festival; contribuir para a afirmação da cultura e desenvolvimento local.
O curso terá uma componente teórica – conferências e seminários, uma componente teórico-prática workshops, uma componente prática – trabalho de campo e visionamento de filmes integrada no FILMES DO HOMEM e um projeto e produto final apresentado pelos participantes que pretendam uma certificação.
Área Científica – Ciências Sociais, Artes e Ciências da Comunicação
Coordenador Geral – José da Silva Ribeiro
Consulte o Programa, preencha e envie ficha de inscrição, através de e-mail, até ao dia 15 de julho de 2015, para docs@filmesdohomem.pt




quarta-feira, 24 de junho de 2015

Bancas virtuais

Ontem, estive na UERJ virtualmente durante toda a manhã, mais precisamente no Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana. Participei da banca de qualificação de doutorado do Lázaro Santos (que só conheço virtualmente e que também conheceu o meu trabalho através das redes sociais). O trabalho COLA E TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO: MEIO E MEDIAÇÃO PARA A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO, orientado pela Profa. Dra. Eloiza Oliveira, é tão diferente e inovador que quase dei pulinhos na cadeira durante a defesa. Lázaro está propondo investigar a velha cola como uma tecnologia que pode ajudar os alunos na perspectiva da aprendizagem colaborativa. Sem sair de casa, conheci professores interessantíssimos de outra instituição (que também não aguentam mais a rigidez acadêmica), outras possibilidades de estrutura e organização do trabalho científico e uma disposição enorme para combater a ausência de inovação na produção científica. A participação virtual em bancas de qualificação tem se tornado uma prática corriqueira nos programas de pós-graduação, só neste ano já participei de cinco e cada uma é mais produtiva e interessante que a outra! Definitivamente, quem minimiza as mudanças que as tecnologias digitais estão provocando nas relações humanas e nas relações de trabalho, vive em outra sociedade...

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Análise de redes dos principais sociólogos contemporâneos

Minhas pesquisas recentes têm abordado a organização em rede dos professores da Educação Básica como ferramenta de análise da efetiva colaboração entre eles. É também uma importante indicação da consolidação da cultura digital dos professores. Já faz alguns anos que me interesso por redes e sua análise, embora não exista quase nada especificamente voltado para a Educação. O tema da dissertação de mestrado da minha orientanda, Thaís Oliveira, defendida no ano passado, aborda a análise das redes dos principais professores que discutem o uso das tecnologias digitais no Brasil. Os resultados são bem interessantes e a dissertação está disponível no site do Edumatec. A pesquisa de Thaís focou as redes sociais desses professores, mas a análise de redes permite diversas possibilidades e todas são muito interessantes. O trabalho de investigação do Julian Cardenas buscou responder se os sociólogos contemporâneos estão conectados entre si mediante as suas redes pessoais e organizações. Foram escolhidos 17 autores da elite da sociologia (Bourdieu, Castells, Granovetter etc.) e buscou-se determinar as conexões entre eles a partir dos seguintes elementos: universidades onde estudaram, onde lecionaram, revistas nas quais foram membros do comitê editorial, comitês e organismos nos quais foram assessores. Primeiro foram construídas as redes de casa sociólogo com suas conexões diretas e depois juntaram as 17 redes e construíram a rede sociocêntrica para estudar a conexão e a dispersão entre eles. A pesquisa é um bom exemplo das inúmeras possibilidades de análise de redes que não precisam ser virtuais, elas se estabelecem em ações concretas do cotidiano e podem ser mapeadas e analisadas como qualquer outro fenômeno (link outras informações sobre o trabalho aqui). Vale a pena a leitura!

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