quinta-feira, 16 de abril de 2015

quarta-feira, 25 de março de 2015

Anais Eletrônicos do X ICCI - Imagens da Cultura Cultura das Imagens

Os artigos publicados nos anais eletrônicos do X Seminário Internacional Imagens da Cultura Cultura das Imagens estão disponíveis para acesso. Boa leitura!

sábado, 7 de março de 2015

Defesas 2015: efemeridade e mídias sociais como recursos pedagógicos

A maratona de defesas 2015 já começou e trouxe boas surpresas para todos. Existe um risco muito grande no meio acadêmico de nos acomodarmos com as estruturas e modelos existentes porque é mais fácil seguir o curso e acatar as proposições estabelecidas do que brigar contra o sistema. Eu busco sempre um caminho mais equilibrado onde eu possa cumprir (mesmo contrariada) as exigências do sistema, mas sempre encontrando um espaço para "quebrar" as estruturas de acomodação porque entendo que só assim é possível produzir inovação. Se não saímos nunca do quadrado e das amarras que nos engessam nos modelos, como poderemos desenvolver coisas novas? Não preciso nem dizer que isso dá muito trabalho e é preciso muita determinação e paciência para não perder o foco e se conformar com a realidade. Sendo assim, nem preciso dizer que dou pulinhos de alegria e esfrego as mãos de satisfação quando um aluno com potencial de inovação se apresenta. Foi assim que eu conheci o meu orientando, Kleber Emmanuel Oliveira Santos, formado em Design na UFPE e com um potencial teórico de tirar o fôlego. Ele ingressou no mestrado do Edumatec com um projeto estruturado no campo da Educação e com uma proposta muito bem amarrada. Eu não participei da seleção e da divisão das orientações porque estava de licença médica e no meu primeiro encontro com Kleber eu já sabia que teríamos um ótimo trabalho ao final, não pelo projeto que ele apresentou, mas por suas inquietações e determinação em fazer algo diferente. Quer dizer, era apenas uma suposição, já que todos os mestrandos enlouquecem em diferentes níveis ao longo do curso e uns encontram o rumo antes do final enquanto outros ficam perdidos para sempre (se você está estudando e ainda não enlouqueceu, aguarde. Se você já concluiu e acha que não enlouqueceu, pergunte aos seus parentes!).

Por coincidência, eu tinha me interessado alguns meses antes por Gilles Lipovetsky, um filósofo francês que trabalha com questões relacionadas com a efemeridade e pós-modernidade e decidimos juntar a questão da efemeridade com o uso das tecnologias digitais, com a ressalva de que não ia ser nada fácil construir uma base teórica que sustentasse a dissertação. O resultado foi a dissertação "As Mídias Sociais estão na moda? Efemeridade e apropriação das Mídias Sociais como recursos pedagógicos" que ele defendeu de forma brilhante no dia 25 de fevereiro. Agradeço imensamente as contribuições da banca - Professor Marcos Dornellas e Professora Thelma Panerai - que trouxe uma discussão teórica de alto nível e a sugestão de publicação. Eu tenho muito orgulho dos meus alunos porque sei muito bem o que é realizar um percurso tão penoso e defender um trabalho que é resultado de dois anos de pesquisa. Com Kleber fiquei mais orgulhosa ainda porque ele não teve medo de inovar, mesmo quando o próprio sistema se voltou contra ele. A resposta da luta está no trabalho impecável, com uma metodologia tão bem construída que deve servir de modelo. Enfim, um trabalho tão bem realizado que vou indicar para publicação no próximo edital de defesa de dissertações e teses. Ele realmente merece!

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Videoteca do X ICCI

Fim de férias é sinônimo de muito trabalho!

As férias terminaram e já estou pegando no tranco para dar conta de tanto trabalho. Fevereiro é o prazo final para as defesas no Edumatec e em vários outros programas de pós-graduação, o que significa uma avalanche de teses e dissertações que precisam ser lidas, comentadas e avaliadas. Comecei a semana terminando a revisão dos trabalhos dos meus orientandos ao mesmo tempo em que tento organizar o meu calendário para conseguir estar presente em todas as reuniões, bancas, eventos etc. É preciso ter fé, kiridos, porque só o pensamento científico não consegue dar conta de turbinar o lattes... A burocracia e os prazos são tão malucos que só ontem vi que um artigo que enviei para uma revista há dois anos foi publicado no ano passado! Já coloquei o bendito no espaço das publicações em periódicos aqui no blog. O lado positivo da correria até agora tem sido a qualidade dos trabalhos dos meus alunos. Conseguimos sair do quadrado e apostamos em temas inovadores que abordam questões em perspectivas diferentes do que vemos por aí. O exercício teórico não é nada fácil, mas os resultados são bastante animadores. Em breve vou publicar aqui o resultado das defesas e as novas linhas que pretendo seguir. Adeus, sol e mar!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Um bom ano

Ao final de cada ano, eu costumava fazer um balanço para contabilizar as coisas que produzi profissionalmente durante doze meses. A vida tem suas reviravoltas, as prioridades mudam e isso não é mais importante (na verdade, acho que nunca foi). Hoje contabilizo as novas amizades que fiz durante o ano, as amizades antigas que foram reforçadas, os lugares que conheci, as experiências engraçadas, o carinho das filhas, os beijos e afagos que dei e recebi. Claro, teve também o pós-doc, uma experiência maravilhosa daquelas para guardar dentro de um livro de capa dura com folhas transparentes para proteger, mas que só pode ser medida através das belas conversas com as pessoas que conheci ou do cuidar e proteger que aprendi enquanto estava fora. Durante os primeiros meses do pós-doc, eu tinha a nítida sensação que meu cérebro estava se esticando, quase podia ouvir as engrenagens trabalhando a todo vapor para dar conta das leituras e discussões. Imagem, cinema, antropologia visual, narrativas, metodologia, a cada novo encontro de orientação uma nova porta se abria e me mostrava mais possibilidades para pensar a cultura digital. Foi um ano realmente intenso... As orientações, publicações, palestras, aulas, bancas e eventos fizeram parte da minha vida em 2014 no mesmo ritmo frenético de sempre, mas são apenas uma parte da minha vida. Não é (e nem pode ser) a parte mais importante). São registros que valem a pena não pelo suposto sucesso das empreitadas, mas pela possibilidade de interagir, apoiar, ensinar, aprender, esclarecer e indicar o caminho para as pessoas. A coisa mais importante que descobri (e que consegui colocar em prática): é o amor que nos move, mas não do jeito que pensamos. O amor está nas pessoas e se não podemos ter tempo para conviver com elas e exercitar a nossa generosidade, carinho e compaixão, a vida não vale a pena. Entre as mudanças que aconteceram em 2014 (mudança de país, mudança de casa, inúmeras viagens, lugares incríveis, novos amigos presenciais, novos amigos virtuais, muitas risadas e conhecimento), o que fica mesmo é a memória do afeto e a cada vez que aciono as minhas lembranças, consigo encontrar paz e felicidade. Foi mesmo um bom ano, um excelente ano...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Notas sobre o ICCI (8): conclusão

Eu nunca tinha organizado um evento científico antes e o balanço que eu faço dessa experiência não está relacionado com os aspectos operacionais ou financeiros, mas sim com o desenvolvimento pessoal e acadêmico que o ICCI nos proporcionou. Em primeiro lugar (sempre!), estão as pessoas. E que pessoas! Os palestrantes convidados foram maravilhosos não apenas na perspectiva da qualidade científica de suas apresentações, mas na afetividade, cordialidade e doçura. Todos foram extremamente generosos, participativos e empenhados em fazer o evento ser um sucesso. Eu realmente lamento que os alunos não aproveitem melhor oportunidades como essa, a UFPE é um centro de atividades em ebulição o tempo todo, mas vejo sempre poucas pessoas da própria instituição participando das atividades. Talvez seja uma questão de exemplo mesmo, precisamos (como professores) incentivar os nossos alunos, indicando os eventos e liberando os alunos para que eles participem das atividades. O nível dos trabalhos apresentados foi outro elemento importantíssimo e já estamos providenciando um livro com os melhores trabalhos apresentados no evento. Em breve publicaremos os anais eletrônicos do evento e as fotos estão disponíveis na nossa página nas redes sociais. Para concluir, preciso agradecer ao professor José Ribeiro, meu orientador no pós-doutorado e idealizador do evento em nossa Universidade. Claro que sem a minha querida parceira de luta, Thelma Panerai, não teríamos conseguido nada, nunca vi alguém para conhecer tanta gente e ser tão eficiente! Obrigada, Thelmita, as nossas parcerias sempre dão muito certo!

Notas sobre o ICCI (7): agradecer é sempre bom!

Organizar um evento não é fácil mesmo, mas nada teria dado certo sem a ajuda das nossas orientandas e agregados do Edumatec que foram os grandes responsáveis pelo sucesso do evento. O querido Mario, nosso apoio na secretaria, foi um verdadeiro leão para dar conta da burocracia e dos intermináveis pedidos que fazíamos a todo instante. As queridas Amanda, Alice, Dagmar, Flávia, Claudia e Lilian que foram quase sequestradas para a função, nos deram todo o apoio que precisávamos. Amanda fez o site mais lindo de todos os tempos, gravou todas as conferências e esteve lá, firme e forte resolvendo os pepinos tecnológicos e recebendo os merecidos elogios do pessoal da USP.Flávia nos ajudou no credenciamento e na recepção dos palestrantes.

Alice assumiu o credenciamento, recebeu os convidados, esteve na linha de frente das reclamações dos participantes e ainda coordenou uma sessão. Dagmar, Claudia e Lilian assumiram a coordenação das sessões, o que é ótimo para o currículo e melhor ainda para o evento. Meninas, eu e Thelma agradecemos o empenho de vocês em nos ajudar! Sem vocês, estaríamos perdidas... O melhor de tudo é trabalhar com gente que não fica de cara amarrada, não se chateia com os imprevistos, não se desespera quando tudo dá errado. O sorriso de vocês, o carinho e a fofice foram tudo de bom, suas lindas!

Notas sobre o ICCI (6)

A qualidade dos trabalhos apresentados no X ICCI foi surpreendente, não apenas em relação ao aspecto inovador das propostas de pesquisa, mas também em relação ao rigor conceitual e metodológico utilizado. Tenho sempre a impressão de que quem trabalha com assuntos que escapam do rigor acadêmico se preocupa excessivamente com os aspectos metodológicos e conceituais por uma questão de sobrevivência mesmo. Assim, tivemos trabalhos inovadores e absolutamente fora das "caixas acadêmicas", mas extremamente estruturados e fundamentados. Os títulos dos artigos já despertavam a curiosidade de quem estava nos corredores, trabalhos como Robocop e a Pós-Modernidade: Uma análise do corpo biocibernético-monstruoso, Os relatos pessoais da cidade: as micronarrativas de Humans of New York, Eu sou a Universal! A publicidade iurdiana e a concretude da felicidade terrena, entre outros, foram muito bem recebidos por todos.

Na sessão em que eu estava, tive a satisfação de ouvir a apresentação de Gustavo Lins com Lado nix: web-série ou série na web? Análise dos termos através de estudos narrativos em mapas, a Amanda Bueno com Anitta Oficial: a construção da imagem de celebridades na rede, a Lucille Batista com Espantos inesgotáveis: análise do uso de imagens em comunidades virtuais educativas no Facebook e a Izabel Lima com Texturas Sonoras: acessibilidade e ludicidade nos áudio games. Eu aprendi tanto nesse evento, levei tantas sacudidas epistemológicas que estou reconstruindo os meu foco de pesquisa para o próximo ano. Aliás, 2014 foi o ano de sair da caixa e enfrentar um mundão de ideias, conceitos e perspectivas tão diferentes do que eu estava acostumada que estou precisando de um freio de arrumação para me organizar internamente. Só tenho a agradecer aos participantes que vieram de longe para compartilhar as suas produções, interagir e prestigiar o nosso evento. Muito obrigada!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Notas sobre o ICCI (5)

Na parte da tarde, enfrentamos a falta de energia que transformou o auditório em uma sauna sem a parte boa: o cheiro de eucalipto e pessoas de toalha. A professora Zilda Lokoi (USP/Diversitas) que além de ser uma fofa, é uma mulher corajosa, apresentou sua conferência Imagens de imigrantes e de movimentos sociais nas mídias com questões atuais sobre os imigrantes em São Paulo que trabalham em condições análogas ao trabalho escravo. A programação da tarde previa a apresentação paralela dos trabalhos dos participantes com as conferências e, por causa da falta de energia, tivemos que aguardar um pouco porque o calor na parte da tarde nas salas de aula do Centro de Educação é uma mistura do verão senegalês com as florestas do Vietnã. Ficamos tão desesperadas que até cogitamos entregar os certificados dos participantes que estavam presentes sem a apresentação completa, mas quase tivemos um motim porque as pessoas queriam apresentar os seus trabalhos com o tempo integral que estava previsto! Gente, estou cansada de participar de eventos e o que eu mais reclamo é a falta de compromisso das pessoas que vão apresentar seus trabalhos porque todo mundo sempre está com pressa, quer sair mais cedo e ninguém quer ouvir os outros! Esse foi o primeiro evento que vi justamente o inverso: todo mundo querendo ouvir os colegas e apresentar a sua produção. Apesar de estar no olho do furacão que me rendeu uma dor de cabeça fenomenal, fiquei muito orgulhosa com o comprometimento dos participantes e mandamos abrir as salas na hora. Felizmente, em menos de dez minutos a energia voltou e tudo transcorreu tranquilamente, embora a programação tenha ficado atrasada.

Após a apresentação da professora Zilda, tivemos a mesa-redonda Cinema, baralho e post-it: formando espaços de aprendizagem com o professor do CIn, Alex Sandro Gomes (UFPE), Paulo André Silva (UFPE) e Alessandro Lima (UFPE). A discussão foi muito interessante e concluímos a mesa-redonda com muitas perguntas, trocas de experiências e questionamentos. O professor Alex Sandro sempre apresenta questões para virar ao avesso tudo o que conhecemos como líquido e certo e a pesquisa do seu grupo mostrou exatamente como precisamos pensar mais à frente. Logo em seguida, iniciamos as sessões com as apresentações de trabalhos que seriam realizadas no auditório e concluímos as atividades do dia que poderiam ser resumidas em uma só frase: entre mortos e feridos, salvaram-se todos!

Notas sobre o ICCI (4)

O segundo dia de atividades começou com a mesa-redonda Saberes locais na academia: metodologias participativas de pesquisa e construção do conhecimento, com os professores José Ribeiro (UAb Portugal), Sérgio Bairon (USP) e Renato Athias (UFPE). As questões sobre a participação dos sujeitos de pesquisa no próprio desenvolvimento do trabalho apresentou uma nova perspectiva para a atuação do pesquisador, principalmente em relação aos limites éticos e o respeito ao outro. Embora os exemplos apresentados estivessem relacionados com a cultura indígena, muitos dos impasses relatados poderiam ser aplicados ao contexto escolar também.

Em seguida, o professor Antonio Xavier trouxe a discussão sobre as imagens e mídias na pós-modernidade com a conferência Cultura digital, imagens e mídias na pós-modernidade. O debate se concentrou nas possibilidades de inovação a partir do uso do hipertexto no contexto da sala de aula. Já quase no final da palestra do professor Xavier, faltou energia no Centro de Educação e logo descobrimos que toda a universidade estava sem energia também. Fizemos a pausa para o almoço e torcemos para que o problema da falta de energia fosse resolvido logo. Nem desconfiávamos que o inferno do calor do Recife estava nos esperando na volta...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Notas sobre o ICCI (3)

A parte da tarde foi intensa porque tivemos muitos temas e perspectivas diferentes para discutir em pouco tempo. Começamos com o professor Mariano Báez Landa do CIESAS (México) com a conferência "Olhares antropológicos: a interface da antropologia e a multimídia". Foi muito interessante porque ele fez uma análise maravilhosa sobre os protestos no México e o papel das redes sociais propondo um outro viés de análise para as relações entre a mídia e os movimentos populares. Logo a seguir, tivemos uma mesa sobre a produção de documentários e a contribuição da antropologia visual para a Educação com o professor Rui Mesquita (Labutuca - UFPE), professor José Ribeiro (UAB - Portugal) e eu como mediadora da discussão.

A sensibilidade do professor Rui e os relatos das ações do Labutuca na Universidade foram muito elogiados por todos e o professor José Ribeiro alinhavou a questão do uso de documentários na Educação apresentando os aspectos teóricos da discussão e as possibilidades de interseção entre a antropologia visual e Educação. Terminamos a discussão já emendando com outra mesa sobre cultura digital na Educação com a professora Patrícia Smith (UFPE), o professor Sérgio Abranches (UFPE) e o professor Marcelo Sabattini (UFPE). Foram apresentadas perspectivas muito interessantes sobre o uso dos aparelhos móveis, as imagens nas redes sociais e a formação docente no contexto da cultura digital.

Ufa! Cansados? Pois ainda não acabou! Terminamos as atividades do dia com uma belíssima apresentação no Second Life com a professora Isa Seppi/ Janjii Rugani (Centro Universitário Senac – SP- Brasil) e Paula Justiça (Esgn - Portugal) com a colaboração de José Saldarriaga / Mauro Enyo - Peru, Paulo Fernandes/Genius Bikcin - Portugal, Vânia Assumção/Sophia Bandler – Brasil e Wanda Campos / Wan Laryukov – Portugal.

A performance de dança que eles apresentaram foi memorável e possibilitou uma excelente discussão sobre o uso do Second Life. Fim do dia, hora de juntar as forças que sobraram para descansar e enfrentar o segundo dia de trabalho com disposição e bom humor porque a interação com as pessoas e a complexidade das discussões fez todo o esforço dispendido valer muito a pena!

sábado, 13 de dezembro de 2014

Notas sobre ICCI (2)

O primeiro dia de atividades do ICCI começou tranquilo, tão tranquilo que as pessoas que chegavam para o evento pensaram até que não tinha evento! Iniciamos as atividades com a abertura para dar as boas-vindas aos convidados e participantes com a presença da coordenadora do Programa de Pós-graduação em Educação Matemática e Tecnológica - Edumatec, Professora Paula Baltar. A primeira conferência do dia foi "10 anos de ICCI e cooperação universitária internacional" com o Professor José Ribeiro, da Universidade Aberta de Portugal. Ele falou sobre os dez anos de atividades do ICCI e a importância da articulação e colaboração entre as instituições de diversos países. Ele traçou um histórico do evento que começou na cidade de Múrcia, na Espanha e as edições seguintes foram realizadas na cidade do Porto (Portugal), Sevilha (Espanha) e São Paulo (Brasil).

Logo em seguida tivemos a exposição do professor Sérgio Bairon da USP, "A relação dialógica entre a Cultura Letrada e a Cultura Oral na Produção Partilhada do Conhecimento". O professor Sérgio é uma figura incrível e trouxe reflexões importantíssimas sobre o não reconhecimento da cultura oral em nossa sociedade e as experiência com o projeto Diversitas em São Paulo. As atividades da manhã começaram intensas, mas a densidade da discussão era só um prenúncio do que viria na parte da tarde!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Notas sobre o ICCI (1)

A primeira coisa que passa pela cabeça de quem está coordenando um evento é "por que eu fui me meter nesta confusão"? A segunda coisa é "onde eu estava com a cabeça quando pensei que seria uma boa ideia"? Nada contra eventos, é claro, mas produzir qualquer evento científico com recursos escassos (=quase inexistentes) é tarefa que faz qualquer desafio de reality show parecer brincadeira de criança! A solução foi priorizar as pessoas e implorar para conseguir as coisas que faltavam. Eu e Thelma Panerai ficamos tão surtadas nas semanas anteriores ao evento que desconfio que as pessoas resolveram nos ajudar não por solidariedade, mas por medo mesmo. As pessoas olhavam para a nossa expressão de desespero com cabelos desgrenhados e olhos esbugalhados e deviam pensar "céus, é melhor ajudar antes que elas saiam daqui dentro de uma ambulância psiquiátrica"... Nós sabíamos que o evento seria pobre, mas não estávamos preparadas para chegar ao limite da miserabilidade. Felizmente, quase tudo deu certo e o mais importante foi ter conseguido acolher as pessoas com o carinho que elas mereciam. A Thelma Panerai (que foi minha companheira incansável de loucura organização) é muito criteriosa e fez questão de conseguir um bom hotel para os palestrantes, de ir buscá-los no aeroporto etc. São pequenos gestos que fazem muita diferença para quem veio de longe e enfrentou uma viagem desconfortável apenas porque acredita no compartilhamento do conhecimento. Fizemos o melhor (muito além do que poderíamos) e espero que as pessoas tenham se sentido acolhidas e bem-vindas. No final do dia, com os pés doendo e o corpo no limite da exaustão, é só isso que faz a diferença!

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Luta pela continuidade das políticas de valorização das universidades públicas

A sociedade brasileira está na iminência de definir que conjunto de forças políticas irá governar o país nestes próximos anos. Mais uma vez nos defrontamos com a necessidade de escolher entre um programa voltado a fortalecer as instituições públicas e outro que aposta no mercado como instância capaz e suficiente em si mesma de organizar a vida social. Aqueles que fazem as Universidades Federais sabem perfeitamente que essa visão dicotômica está longe de ser simplificadora. A memória dos anos 1990 ainda é bem viva em todos aqueles que estudaram ou trabalharam em uma instituição federal de ensino superior. Foram anos desastrosos para as Universidades, que só agora, e a muito custo, estamos conseguindo superar. Uma comparação inicial já demonstra esta diferença de pensar a sociedade, o governo e a gestão do ensino superior. Nos últimos 12 anos, as universidades públicas federais brasileiras tiveram acelerada recuperação da situação de falência vivida nos anos 1990, enquanto as estaduais paulistas, administradas há 24 anos por sucessivos governos do PSDB, estão na mais aguda crise das últimas décadas (“Em crise, Unesp apela para aulas online”, O Estado de São Paulo – 07/10/2014). Esse estado de coisas, não nos iludamos, decorre de uma concepção que secundariza a universidade pública e a entende como mera prestadora de um serviço de natureza privada e que, portanto, conforme declarou um dos economistas que tem se destacado como formulador do programa econômico do candidato tucano, Samuel Pessôa, em matéria de opinião publicada na Folha de São Paulo, no dia 26/06/2014, as universidades, ainda que públicas, devem cobrar mensalidades, uma vez que "agregam valor" a seus estudantes. O título de seu artigo, a rigor, já diz tudo: “Universidade Paga”.

É preciso, pois, lembrar aos que porventura esqueceram, e alertar as novas gerações, do imenso perigo que estamos a passar. A eventual eleição do candidato do PSDB, Aécio Neves, representa um risco de enormes proporções. Abaixo destacamos alguns traços denunciadores da situação que vivíamos nos anos 1990. Não se investia em instalações físicas, compra de equipamentos ou de livros. Os laboratórios eram extremamente precários e deteriorados; os acervos das bibliotecas não eram renovados nem, muito menos, ampliados; os banheiros eram abjetos, a falta d’água era constante, e a limpeza esporádica; as salas de aula eram desconfortáveis e muitas vezes sequer tinham carteiras em número suficiente para os estudantes matriculados.

Em conformidade com sua política de desvalorização e esvaziamento das Universidades, o governo do PSDB praticou uma política salarial extremamente restritiva, sem reajustes, e com a implantação de uma série de "gratificações" que visavam comprimir os vencimentos e aposentadorias, resultando numa enorme precarização da atividade docente. As bolsas disponíveis para alunos de graduação, pós-graduação e pesquisadores eram em número ínfimo e seus valores mantiveram-se inalterados por praticamente todos os 8 anos de governo. Do mesmo modo, e pelas mesmas razões, os financiamentos à pesquisa por órgãos como CNPq, Capes e Finep eram irrisórios.

Sabemos bem que a vida pulsante de uma instituição universitária não pode ser plenamente capturada e reduzida a uns tantos dados quantitativos. Mas tampouco prescinde deles. Por isso, listamos abaixo, a título de exemplo, alguns dados que julgamos expressivos (alguns deles de âmbito nacional e outros relativos à UFPE – fontes: CNPq; Capes; Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão - MPOG; UFPE).

O orçamento da Capes, considerando-se apenas os valores destinados às rubricas bolsas e fomento, aumentou 9 vezes, passando de R$ 580 milhões (2004) para R$ 5,3 bilhões (2013). Destaque-se, quanto a isto, a implantação de um novo programa de bolsas – PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) – voltado para estudantes de licenciatura, com o intuito de estimular a carreira docente e estreitar a relação entre IFES e as Escolas de ensino básico. O MCT, por sua vez (que abriga o CNPq e Finep), teve seu orçamento aumentado em 3,8 vezes, passando de R$ 2,5 bi (2002) para R$ 9,5 bi (2014);

O orçamento da UFPE (entre 2002 e 2013) também teve aumento significativo, passando de R$ 260 mi para R$ 1,08 bi (acréscimo de 318%);

No caso do nº de laboratórios existentes/UFPE (entre 2002 e 2012), o aumento foi de 19%;

O nº de professores efetivos/UFPE aumentou 36% entre 2002 e 2013 (e a relação professor substituto/efetivo baixou de 21% para 14%);

Houve um acréscimo de 24% no nº de técnico-administrativos/UFPE (entre 2002 e 2013);

Os investimentos em edificações e instalações físicas/UFPE (entre 2002 e 2012) resultou num acréscimo de 18% em área construída (considerando apenas o campus Recife);

A quantidade de estudantes de graduação e pós-graduação/UFPE (entre 2002 e 2013) teve um crescimento de 52%;

O nº de bolsas destinadas exclusivamente a estudantes de graduação/UFPE (entre 2002 e 2012) aumentou em 141% (passando de 1567 para 3792 bolsas).

Não nos enganemos, vitoriosas as forças que a candidatura Aécio representa, teremos anos muito difíceis pela frente. Por isso, concitamos a todos/as que partilham dessa mesma preocupação a desempenhar um papel ativo no sentido de divulgar essa mensagem e conversar com seus colegas, alunos, amigos, familiares alertando-os acerca da gravidade do momento.

Profa. Lady Selma (Antropologia/UFPE) e o Prof. Ricardo Pinto (Arqueologia/UFPE)

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